IMPACTO ELEITORAL
Negociação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro ameaça pré-campanha, dizem analistas
Suposta negociação de R$ 134 milhões para filme "Dark Horse" gera debates sobre o futuro eleitoral de Flávio Bolsonaro.
A suposta negociação de R$ 134 milhões, que envolve o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pode provocar desgastes políticos e eleitorais substanciais. A avaliação, feita por cientistas políticos ouvidos pela CNN Brasil nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, destaca o risco de perda de apoio entre eleitores moderados e intensifica disputas internas na pré-campanha.
Para o sociólogo e cientista político Alberto Carlos Almeida, este episódio tende a acentuar as rivalidades internas no círculo político de Flávio Bolsonaro. Ele explica que o caso abre espaço para pressões e barganhas de grupos interessados em ganhar mais influência na corrida eleitoral. “Tudo em Brasília tem preço. Então, qual o preço para Flávio Bolsonaro do seu desgaste? Aqueles que estão mais distantes do núcleo central da candidatura dele, que tomam menos decisões ou têm menos influência, vão utilizar esse evento, e qualquer outro semelhante, para barganhar mais espaço próximo a Flávio. A troca é não atacá-lo”, afirmou Almeida.
Almeida pondera que nem todos os conflitos internos são simples de resolver. “Talvez o caso de Michelle [Bolsonaro] não seja conciliável. Talvez ela não esteja querendo simplesmente barganhar espaço em torno de Flávio, mas outros atores menos visíveis estão fazendo isso agora”, disse. Apesar das possíveis tensões internas, ele sugere que o impacto na percepção pública talvez seja menor do que em escândalos políticos do passado. Como exemplo, citou a ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney, que desistiu da disputa presidencial de 2002 após um escândalo envolvendo a empresa Lunus.
“Eu não acredito que algo semelhante vá acontecer agora. Bolsonaro tem um poder separado do que existia naquela época. Não havia mídias sociais. E quando falo Bolsonaro, estou falando dos dois, pai e filho, que tem essa força ligada à mídia deles, à mídia alternativa e às redes sociais. Isso é um novo poder na sociedade”, destacou o sociólogo.
Já o cientista político Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy, aponta que o principal desafio eleitoral reside na dificuldade de expandir o apoio além da base bolsonarista fiel. “Existe uma perspectiva de estrago muito clara, porque Flávio Bolsonaro pode até ter segurança de que não perderá muitos votos na sua base de seguidores e aliados herdados do pai, uma liderança carismática mais inflexível a esse tipo de evento. Mas ele pode perder justamente o eleitor que precisa para vencer a eleição: o eleitor moderado”, explicou Barreto.
Segundo o analista, esse grupo inclui eleitores indecisos ou menos alinhados ideologicamente, capazes de migrar entre candidaturas. “É aquele eleitor que pode votar tanto nele quanto em Lula, muitas vezes chamado de ‘isentão’. E esse eleitor tende a se afastar”, pontuou. Barreto também conectou o episódio à pesquisa mais recente da Genial/Quaest, que indicou um avanço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) justamente entre os eleitores moderados. “Se isso se confirmar, Flávio Bolsonaro pode cristalizar um teto eleitoral. Um teto alto, mas insuficiente para vencer a eleição”, avaliou.
O cientista político comparou o cenário ao histórico eleitoral do ex-prefeito paulistano, Paulo Maluf. “Muitas vezes ele liderava o primeiro turno em São Paulo, mas tinha um teto baixo e acabava derrotado no segundo turno”, lembrou. Para Barreto, esse possível limite eleitoral pode comprometer a habilidade de Flávio Bolsonaro de atrair alianças e consolidar apoios regionais. “Essa é hoje a principal ameaça à viabilidade eleitoral dele, justamente quando busca aliados e tenta ampliar sua coalizão”, concluiu.
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Comentários (1)
José Walterler
há 3 meses“analistas”. Diariamente eclodem escândalos, roubalheiras, propinas, desvios de verbas e toda sorte de ladroagem envolvendo essa corja governista. Aonde estão esses “analistas” pra postar esses vômitos nos canais de notícias? Vão se lascar.
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