REELEIÇÃO ILIMITADA

Nayib Bukele formaliza candidatura para permanecer no poder em El Salvador até 2033

Venezuelanos presos em El Salvador imploram por liberdade
Venezuelanos presos em El Salvador imploram por liberdade

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, busca um terceiro mandato consecutivo em meio a controvérsias sobre a reforma constitucional e o estado de emergência que permitiu a prisão de milhares de pessoas.

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, teve sua candidatura para um terceiro mandato consecutivo formalizada neste domingo (28), com o objetivo de estender sua permanência no poder até 2033. A decisão segue a aprovação de uma controversa reforma constitucional em agosto do ano passado, que antecipou eleições e ampliou o mandato presidencial de cinco para seis anos, abrindo caminho para a reeleição ilimitada.

A formalização ocorreu por meio de um curto aviso de Xavi Zablah Bukele, presidente do partido Novas Ideias, que confirmou a postulação do primo-presidente para o pleito de fevereiro de 2027. Bukele, no cargo desde 2019, não enfrenta opositores em suas primárias partidárias, agendadas para o dia 12.

Venezuelanos presos em El Salvador imploram por liberdade

As políticas de segurança implementadas por Bukele, marcadas por megaprisões e a decretação de estado de emergência com suspensão de direitos constitucionais, tornaram-se um modelo para a direita radical em outros países latino-americanos. Candidatos como Daniel Noboa, no Equador; Abelardo de La Espriella e Keiko Fujimori, na Colômbia e Peru, respectivamente, inspiraram-se em seu modelo para suas campanhas presidenciais.

Aos 44 anos, o presidente salvadorenho se autodenomina um "ditador legal", creditando às medidas autoritárias a redução superior a 90% na taxa de homicídios. Sob seu governo, os três poderes estariam concentrados em suas mãos, com um regime policial e militar que resulta em uma das maiores taxas de encarceramento do mundo, onde 2% da população adulta está detida.

A decisão de buscar um terceiro mandato é apoiada por 70% dos salvadorenhos, segundo pesquisas. No entanto, seis em cada dez cidadãos temem expressar críticas publicamente ao presidente. Em resposta a questionamentos sobre direitos humanos, Bukele rebateu: "Direitos humanos de quem? Não das pessoas honradas."

Essa estratégia de concentração de poder e a busca por permanecer no cargo por mais uma década, conforme revelado por ele a um youtuber espanhol em dezembro, consolida sua nova candidatura e molda o futuro político de El Salvador.

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