ESPERANÇA PARA ESPÉCIE
Nascimento de seis filhotes reforça preservação do sagui-da-serra em Minas Gerais
O Centro de Conservação dos Saguis-da-Serra celebra marco inédito na reprodução de primatas ameaçados enquanto enfrenta desafios sanitários complexos.
O Centro de Conservação dos Saguis-da-Serra (CCSS), vinculado à Universidade Federal de Viçosa (UFV), consolidou uma etapa decisiva para a sobrevivência do sagui-da-serra (Callithrix flaviceps) ao registrar o nascimento de seis filhotes desde dezembro de 2025. A decisão de ampliar o manejo e a proteção da espécie, tomada por especialistas da instituição, visa garantir a diversidade genética de um dos primatas mais ameaçados da Mata Atlântica e serve como uma reserva estratégica diante de riscos de extinção.
O nascimento desses animais, nesta terça-feira, 14/07/2026, é um marco para a ciência mundial, pois o CCSS é a única instituição dedicada ao manejo específico desta espécie. Com a chegada dos novos indivíduos, o plantel alcançou 15 animais, possibilitando a formação de novos grupos familiares fundamentais para a perpetuação da espécie em caso de emergências populacionais.
Apesar da celebração, o trabalho enfrenta obstáculos críticos. Pesquisadores identificaram uma contaminação severa por parasitas do gênero Prostenorchis em populações próximas a centros urbanos. A médica veterinária Fabiana Voorwald explicou que, como não há protocolos clínicos definitivos para a eliminação desses vermes, a equipe estuda intervenções cirúrgicas minimamente invasivas para salvar os animais infectados.
A vulnerabilidade do sagui-da-serra é agravada pela fragmentação de seu habitat e pela suscetibilidade a zoonoses, como a febre amarela, que já dizimou grande parte da população em Caratinga (MG). Fabiano Melo, coordenador do projeto, reforça que manter um grupo de segurança sob cuidados humanos é uma estratégia prevista pelos planos do ICMBio para evitar o desaparecimento total do primata, que ocorre naturalmente no leste de Minas Gerais, Espírito Santo e norte do Rio de Janeiro.
Além da reprodução, o CCSS mantém um extenso trabalho de controle de hibridação, tendo esterilizado quase 200 indivíduos híbridos na Zona da Mata e na Serra da Mantiqueira. Estas ações, embora desafiadoras e de longo prazo, são consideradas vitais para que, em 2027, o centro possa avançar com testes de reintrodução de indivíduos da espécie no campus da UFV.
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