VANGUARDA ESPACIAL BRASILEIRA

Nasa aposta em tecnologia brasileira para a missão Artemis II

Astronauta com relógio de pulso ActLumus da Condor Instruments na missão Artemis II da Nasa.
O actígrafo ActLumus, da Condor Instruments, sendo utilizado por um astronauta da missão Artemis II. (Crédito: Nasa/Divulgação)

O actígrafo ActLumus, da startup Condor Instruments, monitora o sono e a saúde de astronautas, um avanço crucial para a segurança e performance na exploração lunar.

A exploração lunar da Nasa, que visa aprofundar a compreensão humana do espaço e preparar futuras missões, ganhou um toque brasileiro crucial. Confirmada nesta sábado, 09 de maio de 2026, no dia do lançamento da missão Artemis II, a decisão da agência espacial norte-americana de empregar um actígrafo da startup paulista Condor Instruments eleva o monitoramento da saúde dos astronautas a um novo patamar de precisão e destaca o papel da inovação nacional em projetos de escala global.

Os próprios criadores da tecnologia só souberam que seu equipamento estava sendo usado na missão no exato dia do lançamento. Segundo Luis Filipe Rossi, CTO e cofundador da Condor Instruments, a confirmação veio ao assistirem às imagens oficiais da missão, um momento de orgulho e reconhecimento para a equipe.

O dispositivo em questão é o ActLumus, um wearable com design semelhante a um relógio de pulso, desenvolvido especificamente para pesquisas científicas. Ele coleta dados vitais sobre padrões de sono, níveis de atividade corporal e a exposição à luz, fatores essenciais para a manutenção do bem-estar e desempenho dos astronautas em ambientes extraterrestres.

Rossi explicou que a Nasa contatou a empresa em 2023, buscando compreender em detalhes o funcionamento do equipamento. Após uma série de conversas técnicas com engenheiros da missão, diversas unidades do aparelho foram adquiridas e submetidas a rigorosos testes de validação.

O grande diferencial do dispositivo brasileiro reside em seu sensor de luz avançado. Ele é capaz de medir não apenas a intensidade luminosa, mas também a forma como diferentes receptores do olho humano são estimulados, incluindo aqueles diretamente ligados ao ritmo circadiano e ao sono. Essa capacidade permite acompanhar como o organismo dos tripulantes reage à ausência da alternância natural entre dia e noite no espaço, um desafio significativo para a fisiologia humana.

O CTO ressalta que a privação de sono em missões espaciais pode ter consequências graves, afetando a atenção, a memória, o tempo de reação e a capacidade de tomar decisões rápidas e assertivas. Por isso, o monitoramento contínuo e preciso da tripulação é uma questão de segurança fundamental e desempenho indispensável para o sucesso de toda a missão.

Fundada em 2013, a Condor Instruments nasceu de uma profícua parceria com pesquisadores ligados à Universidade de São Paulo e recebeu valioso apoio da Fapesp. A qualidade e inovação de seus produtos são reconhecidas globalmente, com quase 90% das vendas da empresa destinadas ao exterior, atendendo instituições de renome mundial como Harvard, Stanford e o prestigiado sistema público de saúde britânico.

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