OPERAÇÃO CONTRA GOLPE
Mulher é presa em São Luís suspeita de integrar quadrilha de 'sextortion' e lavagem de dinheiro
Investigação da Polícia Civil do Paraná, com apoio da SEIC, aponta que a suspeita funcionava como "contadora" do grupo criminoso, movimentando dinheiro de golpes de extorsão sexual.
Uma mulher foi presa em São Luís nesta quinta-feira, 21/05/2026, suspeita de integrar uma organização criminosa especializada em extorsão, lavagem de dinheiro e o crime de 'sextortion' (extorsão sexual). A operação, realizada pela Superintendência Estadual de Investigações Criminais (SEIC), contou com o apoio da Polícia Civil do Paraná, responsável pela condução do inquérito.
A suspeita atuava como uma das "contadoras" da quadrilha, fornecendo sua conta bancária para receber e movimentar valores obtidos com os golpes. Essa ação é crucial para dificultar a identificação e o rastreamento do dinheiro pelas autoridades, protegendo a dignidade das vítimas que já sofreram abalos financeiros e emocionais.
As investigações apontam que as contas utilizadas pela organização já foram registradas em diversos boletins de ocorrência em vários estados brasileiros, evidenciando a amplitude do esquema.
Como os criminosos agem
Um dos modus operandi identificados envolve o contato inicial por meio de redes sociais e, posteriormente, por aplicativos de mensagens. Criminosos se utilizam de perfis falsos, como o de um suposto médico oncologista da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em missão na Síria, identificado como “David Green”. Fotos de terceiros, já conhecidas em golpes internacionais, são usadas para criar uma identidade fictícia.
Durante a manipulação emocional, o criminoso promete casamento e conquista a confiança da vítima, induzindo-a ao compartilhamento de fotos e vídeos íntimos. Posteriormente, ameaça divulgar o material em redes sociais caso não receba pagamentos. Em um caso documentado, a vítima, de Palmas, foi extorquida em R$ 20 mil, mas chegou a ter um prejuízo total de mais de R$ 60 mil.

Organização criminosa estruturada
A investigação da Polícia Civil do Paraná (PC-PR) revelou uma estrutura organizada de tarefas. Um núcleo estrangeiro, com terminal telefônico com DDI da Nigéria (+234), era responsável pela abordagem, sedução e posterior extorsão. Esse núcleo opera de forma a dificultar a identificação, mas a análise financeira já identificou movimentações de quase R$ 4 milhões em dois meses.
Os dados bancários coletados indicam ao menos vinte vítimas do mesmo esquema criminoso em diversos estados. As contas utilizadas pela quadrilha constam como beneficiárias em múltiplos boletins de ocorrência, reforçando a necessidade de combate a essas práticas que destroem vidas e causam severos danos financeiros e psicológicos.
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