TERRA E DIGNIDADE
MST bloqueia BR-406 por reforma agrária no RN
Famílias do MST reivindicam 1.600 hectares em Jandaíra e o assentamento do Baixo Açu, esperado há 12 anos. Rodovia BR-406 interrompida nesta terça-feira, 19 de maio de 2026.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) interrompeu uma das principais rotas logísticas do Rio Grande do Norte, a BR-406, nas proximidades de Jandaíra, na manhã desta terça-feira, 19 de maio de 2026. A ação, um clamor urgente por reforma agrária e a criação de assentamentos, busca pressionar autoridades por terras que, segundo o movimento, permanecem improdutivas. O bloqueio não apenas afeta diretamente o transporte de combustíveis e o fluxo diário de veículos, mas também ecoa a longa espera de famílias que sonham com a dignidade da terra para cultivar e construir suas vidas.
Durante a mobilização, faixas expostas pelos manifestantes reforçavam a pauta, com mensagens como “Pela defesa da terra e dos territórios: reforma agrária popular” e um questionamento direto ao poder público: “Governadora, cadê o assentamento do Baixo Açu? 12 anos de espera”. A cobrança mira providências concretas para áreas reivindicadas, incluindo uma propriedade rural em Jandaíra e a complexa discussão em torno do Distrito de Irrigação do Baixo Açu (Diba).
A ameaça de despejo paira sobre essas famílias, que há quase um ano transformaram uma área antes sem uso em um espaço de vida e produção, cultivando alimentos e promovendo atividades coletivas como a alfabetização. O bloqueio se torna, para o MST, um ato de resistência contra a iminente perda do que construíram com as próprias mãos.
Ricardo, um representante do MST, esclareceu que a ocupação da rodovia entre Jandaíra e Baixa do Meio iniciou às 5h. A pauta central inclui a desapropriação de 1.600 hectares da Unidade Experimental Campo de Serra Velho, em Jandaíra. O movimento argumenta que a área está improdutiva, com prédios danificados, e que, portanto, não cumpre sua função social, desrespeitando o princípio de que a terra deve servir à comunidade.
O representante ainda detalhou a situação delicada das famílias, acampadas no local há quase um ano e agora confrontadas por dois mandados de reintegração de posse. O MST manifesta grande preocupação, pois há indicações de que parte dessa área cobiçada poderia ser destinada a uma empresa privada. "O movimento reivindica, tem interesse na terra, inclusive essa área já foi vistoriada", pontuou Ricardo, destacando a legitimidade da luta por um pedaço de chão.
A manifestação estende sua relevância ao Baixo Açu, região onde se localiza o Diba, uma área que já motivou intensas discussões entre movimentos sociais, produtores rurais e entidades do setor agropecuário. Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE concedida em 2025, a Federação da Agricultura do Rio Grande do Norte (Faern) expressou que a criação de um assentamento dentro do perímetro irrigado representaria um risco ao equilíbrio econômico e operacional do distrito, gerando controvérsias.
À época da entrevista, o presidente da Faern, José Vieira, alertou que o Diba, único distrito de irrigação em pleno funcionamento no RN, depende integralmente do rateio de custos entre os produtores para manter sua operação, manutenção e o bombeamento da água. "O Diba é o único distrito de irrigação em pleno funcionamento no RN, sustentado por produtores que rateiam custos. A entrada de um assentamento do MST alteraria essa equação", enfatizou Vieira, sublinhando a fragilidade financeira do sistema.
Vieira também manifestou a profunda preocupação de produtores e empresas instaladas no distrito com a possibilidade de um conflito fundiário. Tal cenário poderia comprometer contratos de exportação, elevar custos operacionais e dificultar o cumprimento de prazos de entrega, considerando que a agricultura irrigada exige investimentos contínuos em assistência técnica, tecnologia e capital de giro, elementos essenciais para sua sustentabilidade.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário