COBRANÇA INDEVIDA

MPRN e Defensoria Pública cobram Neoenergia Cosern por cobranças indevidas de energia solar

Prédio institucional do Ministério Público do Rio Grande do Norte.
Sede do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN).

Ação pede devolução em dobro de valores cobrados a mais de consumidores com energia solar. Neoenergia Cosern aguarda notificação.

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) e a Defensoria Pública do Estado (DPERN) ingressaram com uma ação civil pública contra a Neoenergia Cosern, exigindo a restituição em dobro de valores cobrados indevidamente de consumidores que utilizam o Sistema de Compensação de Energia Elétrica. A decisão de judicializar ocorreu após tentativas de acordo administrativo terem se esgotado, segundo os órgãos autores da ação.

O caso teve início com reclamações de clientes, registradas a partir de novembro de 2025, que relataram aumentos expressivos em suas contas de luz. As queixas apontam que a Neoenergia Cosern passou a cobrar o consumo integral das unidades beneficiárias, desconsiderando os créditos de energia solar acumulados. A mudança ocorreu sem comunicação prévia aos consumidores e impactou negativamente a dignidade daqueles que investiram em geração distribuída, confiando nos benefícios garantidos até 2045.

A ação também aponta a imposição automática de parcelamentos considerados indevidos e a cobrança de tarifas e impostos sobre a energia compensada. Para o MPRN e a DPERN, essas práticas violam o direito adquirido de consumidores que aderiram ao sistema antes das alterações legislativas e configuram um desrespeito à boa-fé contratual.

Antes de recorrer à Justiça, o Ministério Público realizou um inquérito civil, promoveu audiências extrajudiciais e solicitou pareceres técnicos para buscar uma solução administrativa. No entanto, as tentativas de acordo com a concessionária não foram bem-sucedidas.

Além da devolução em dobro das cobranças indevidas, os órgãos pedem que a Justiça condene a Neoenergia Cosern ao pagamento de R$ 46 milhões por danos morais coletivos. Caso o pedido seja aceito, o valor será destinado ao Fundo Estadual de Defesa dos Direitos Difusos. Foi solicitada também uma liminar para impedir a suspensão do fornecimento de energia elétrica e a negativação dos consumidores afetados, além de exigir melhorias nos canais de atendimento da empresa.

Em resposta, a Neoenergia Cosern informou que ainda não foi oficialmente notificada sobre o processo e que adotará as medidas cabíveis após analisar o conteúdo da ação judicial.

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