DROGA RUMO AO ORIENTE

MPF liga iranianos a tráfico internacional de cocaína de Santos a Dubai

Imagem de tabletes de cocaína apreendidos dentro de sacos de café em um galpão.
Droga apreendida em galpão em Santos (SP) estava escondida em sacos de café. Foto: Divulgação/Polícia Civil

Dois iranianos presos em flagrante em Santos em maio de 2026 com 180 kg de cocaína tiveram a prisão preventiva mantida. MPF aponta organização criminosa transnacional.

O Ministério Público Federal (MPF) afirma que dois cidadãos iranianos presos em flagrante em Santos, São Paulo, integram uma organização criminosa com atuação internacional voltada ao tráfico de cocaína para o Oriente Médio, com destino principal a Dubai.

Os investigados, Saeid Sabouri, de 52 anos, e Nima Kenareifard, de 25, foram detidos em 12 de maio de 2026 com cerca de 180 kg da droga, dividida em 178 tabletes. A substância estava escondida em sacos de café em um galpão, com a carga supostamente destinada a Dubai.

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MPF em São Paulo aponta que a forma como a droga foi acondicionada e a rota internacional evidenciam uma estrutura criminosa sofisticada, com capacidade para remeter narcóticos em larga escala entre continentes. Em manifestação, o órgão declarou que os investigados estão inseridos "em um contexto de criminalidade organizada com atuação transnacional".

A Justiça Federal, em decisão proferida nesta quarta-feira, 3 de junho de 2026, manteve a prisão preventiva dos dois, rejeitando os pedidos de liberdade apresentados pelas defesas. O caso tramita na 5ª Vara Federal Criminal de Santos e ainda está em fase de inquérito policial.

Meses de investigação

Policiais civis do Deinter-6 investigavam há meses um indivíduo suspeito de manter ligações com integrantes de uma organização criminosa que atuava entre o Brasil e o Oriente Médio no tráfico internacional de cocaína. Havia a suspeita de que cerca de 150 kg de cocaína seriam enviados para Dubai.

Durante campana, agentes notaram movimentação atípica em um galpão e, ao adentrarem, encontraram sacos de café, tonéis e caixas. A suspeita sobre o conteúdo de algumas sacas levou à descoberta de 178 tabletes de cocaína.

Saeid Sabouri, responsável pelo galpão, optou pelo silêncio. Nima Kenareifard apresentou-se inicialmente como intérprete de Sabouri, alegando estar no local para auxiliar em trâmites documentais, mas também escolheu o silêncio ao ser informado sobre a suspeita de tráfico.

Do tráfico de caráter internacional

O caso, que inicialmente tramitava na Justiça Estadual, teve sua competência declinada para a Justiça Federal por se tratar de tráfico com potencial caráter internacional, conforme precedente do STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Conversão em preventiva

Na audiência de custódia, o MPF pediu a manutenção das prisões preventivas, argumentando que a vultosa quantidade de entorpecente e o modus operandi indicam a magnitude da operação criminosa. O juiz destacou o risco de fuga devido à condição de estrangeiros de ambos e à ausência de vínculos locais.

As defesas solicitaram a revogação das prisões ou liberdade provisória, com argumentos como residência fixa e regularização migratória. Propuseram medidas alternativas como monitoração eletrônica e retenção de passaporte.

Decisão de 3 de junho

O juiz federal indeferiu os pedidos, mantendo as prisões preventivas ao considerar que os requisitos autorizadores do Código de Processo Penal permaneciam presentes. O magistrado avaliou que as medidas alternativas propostas não seriam suficientes para afastar o risco de fuga, dadas as extensas fronteiras brasileiras.

O juiz também afastou a tese de nulidade por uso de intérprete de inglês, afirmando que a decisão de prisão não se fundamentou em declarações dos custodiados, mas em elementos objetivos. Foi determinada a nomeação de intérprete habilitado em persa para futuros atos.

Os investigados permanecem no Centro de Detenção Provisória de São Vicente. O inquérito policial segue em andamento e os acusados têm direito à ampla defesa.

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