DISCURSO DE ÓDIO
MP-SP processa influenciador por defender que pessoas pobres não deveriam votar
Ação civil pública pede remoção de perfil no Instagram, proibição de novas publicações discriminatórias e pagamento de R$ 300 mil por danos morais coletivos.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) moveu ação civil pública contra o influenciador Leonardo Marcondes, nesta segunda-feira, 29/06/2026, por suposta produção de conteúdo discriminatório contra pessoas pobres. A Promotoria de Justiça de Direitos Humanos da Capital paulista acusa o influenciador de promover discurso de ódio, ao defender em vídeos publicados nas redes sociais que indivíduos em situação de vulnerabilidade econômica não deveriam ter o direito ao voto no Brasil.
A ação, que busca a proteção da dignidade humana e o combate à aporofobia (aversão aos pobres), pleiteia a remoção imediata do perfil de Marcondes no Instagram, onde possui mais de 1,4 milhão de seguidores. Adicionalmente, o MP-SP requer a condenação do influenciador ao pagamento de R$ 300 mil por danos morais coletivos e sociais, além da proibição de novas postagens com conteúdo considerado discriminatório.
O processo foi desencadeado por declarações de Leonardo Marcondes em vídeo, nas quais ele questiona o direito ao voto de pessoas pobres. "Você já parou pra pensar que pobre não devia ter direito de votar? Pensa comigo. Uma pessoa que é pobre, ela não soube tomar boas decisões pra ter o melhor pra sua família e pra si mesma. E essa pessoa que não tomou boas decisões pra ter o melhor pra si mesma, ela vai agora tomar uma decisão que vai ser o melhor para o país", afirmou Marcondes.
Ele prosseguiu: "Qual que é a habilidade que essa pessoa tem ao tomar decisões? Nenhuma. É uma pessoa que não deveria votar. Porque um país ou uma empresa não pode estar nas mãos de uma pessoa que não consegue nem ter responsabilidade sobre as próprias atitudes. Tenta pensar quão que o mundo seria um lugar melhor se os pobres não votassem, se o poder de decisão de um país ficasse nas mãos dos ricos, até que o pobre, ele ficasse rico pra que ele conseguisse ter o poder de tomar decisões também".
Segundo o Ministério Público, as manifestações de Marcondes "extrapolam os limites da liberdade de expressão ao promover discriminação contra pessoas pobres", configurando aporofobia. A ação aponta que este não é um caso isolado, citando outros vídeos onde o influenciador teria dito que pobres "não deveriam ter o direito de transar" e que "pobre não gosta de trabalhar no feriado porque é preguiçoso", entre outras ofensas.
O MP-SP argumenta que o conteúdo divulgado pelo influenciador "apresenta discurso de ódio contra parcela da população e busca excluir pessoas pobres da participação política". A permanência das publicações, segundo a Promotoria, agrava os danos por continuar disponível para disseminação.
A ação também aborda a qualificação de Marcondes para ministrar cursos e palestras. Em depoimento ao próprio Ministério Público, ele admitiu não possuir formação superior, tendo cursado "8 semestres de administração em 8 faculdades diferentes". A Promotoria sustenta que ele não detém a qualificação profissional para oferecer o conteúdo, utilizando o discurso para atrair público pagante.
O pedido de tutela de urgência visa a retirada imediata não apenas da publicação em questão, mas de todo o perfil do influenciador no Instagram. A decisão judicial ainda definirá se as alegações do MP-SP procedem e quais serão as sanções aplicadas ao influenciador.
Leonardo Marcondes, conhecido como Léo Marcondes, autodenomina-se 'treinador financeiro', coach, palestrante e empresário, produzindo conteúdo sobre desenvolvimento pessoal, empreendedorismo e educação financeira. Ele se apresenta como ex-atleta profissional de vôlei e fundador da Escola NPAC, que comercializa cursos e mentorias focados em "liberdade financeira".
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