INVESTIGAÇÃO ABERTA

MP-SP investiga túnel milionário na Zona Sul de São Paulo

Representação do projeto do Túnel Sena Madureira na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo
Projeto do Túnel Sena Madureira, na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo — Foto: Reprodução/Prefeitura de São Paulo

Inquérito civil aberto nesta terça-feira, 05/05/2026, mira possíveis falhas em estudo de viabilidade da obra de R$ 622 milhões.

O Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio de sua Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo, instaurou nesta terça-feira, 05/05/2026, um inquérito civil para investigar possíveis irregularidades e o real impacto urbano do projeto do Túnel Sena Madureira. A decisão mira potenciais falhas técnicas e fragilidades nos estudos de viabilidade ambiental, questionando a eficácia e a necessidade de um empreendimento de R$ 622 milhões na Vila Mariana, Zona Sul da capital, que afeta diretamente a mobilidade e a qualidade de vida de centenas de milhares de cidadãos.

A Promotoria deverá apurar "eventuais irregularidades, omissões técnicas e desconformidades legais" nos estudos apresentados pela Prefeitura para justificar a intervenção. A portaria de instauração de inquérito destaca também possíveis fragilidades estruturais nos estudos de mobilidade incorporados ao Estudo de Viabilidade Ambiental (EVA) que viabilizou a obra.

O MP-SP ressalta que a intervenção viária pode afetar significativamente a mobilidade urbana, tanto durante o período de obras quanto após a conclusão do túnel. Por isso, considera essencial coletar mais informações para avaliar se o projeto realmente atende às normas urbanísticas e aos interesses difusos da população, como o direito à circulação e à cidade.

A promotoria concedeu um prazo de 30 dias para a administração municipal enviar cópia integral do novo projeto. A Prefeitura de São Paulo foi procurada para um posicionamento, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem.

O inquérito foi aberto após representação dos vereadores Marina Bragante (PSB), Nabil Bonduki (PT), Renata Falzoni (PSB) e Toninho Vespoli (PSOL), que solicitaram a anulação do EVA de 2024. Os parlamentares, que fazem oposição ao atual prefeito, argumentam que existem alternativas mais baratas e eficientes do que o túnel para melhorar o trânsito da região. Em março, eles apresentaram um estudo que propõe intervenções viárias de baixo impacto e custo total de R$ 1 milhão – valor que representa apenas 0,16% do orçamento da obra subterrânea.

"A abertura do novo inquérito pelo Ministério Público é um passo importante para reforçar o caminho correto dos investimentos em mobilidade na cidade. É fundamental dar prioridade à mobilidade ativa e ao transporte coletivo de massa", declarou Renata Falzoni nesta terça-feira (05/05/2026). Segundo a vereadora, "São Paulo não precisa de mais um túnel, que é uma obra cara, ineficiente e que representa um modelo ultrapassado de urbanismo".

A Prefeitura de São Paulo defende que o Túnel Sena Madureira vai melhorar a fluidez do trânsito, ampliar a conexão entre bairros e beneficiar mais de 800 mil pessoas por dia. A gestão municipal também afirma que adequou o projeto para reduzir a necessidade de corte de árvores – um dos principais motivos da polêmica, que motivou protestos e a suspensão da obra pela Justiça em 2024.

Em março, a empreiteira Álya Construtora venceu a nova licitação para construir o túnel por R$ 622 milhões. A empresa é sucessora da antiga Queiroz Galvão, que havia vencido o certame original para o mesmo túnel, em 2010, mas teve contrato cancelado após o Ministério Público (MP) apontar indícios de fraude.

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