JUSTIÇA NO CASO
MP-SP denuncia caminhoneiro por homicídio doloso após morte de estudante em Jacupiranga
Matheus Henrique Poly Garcia virou réu após Justiça aceitar acusação de homicídio doloso. Ele foi filmado bebendo antes de atropelar e matar Joyce Muraoka, 19, e ferir outro homem.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou Matheus Henrique Poly Garcia por homicídio doloso e tentativa de homicídio, e a Justiça aceitou a acusação nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, tornando o caminhoneiro réu. Ele foi flagrado ingerindo bebida alcoólica momentos antes de atropelar fatalmente a estudante Joyce Muraoka, de 19 anos, e ferir gravemente um homem de 45 em um ponto de ônibus em Jacupiranga (SP). Este avanço processual representa uma etapa fundamental na busca por justiça, sublinhando a urgência de responsabilizar condutas que ceifam vidas e destroem famílias.
A tragédia ocorreu em 5 de maio na Rodovia José Edgard Carneiro (SP-193). A denúncia do MP-SP, embasada no inquérito da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), revela que um funcionário de Matheus testemunhou o caminhão a cerca de 130 km/h, perdendo o controle ao se aproximar de um radar com limite de 40 km/h. Essa imprudência extrema resultou na perda de uma jovem vida e deixou outro indivíduo com sequelas físicas e emocionais.
Após o acidente, o caminhoneiro e o funcionário que registrou as imagens fugiram do local. Matheus foi contido por testemunhas, mas mentiu à polícia, alegando ser passageiro e sendo inicialmente liberado. Posteriormente, ele fugiu para Piedade (SP), onde foi preso apenas depois que os agentes localizaram e ouviram o verdadeiro ocupante do caminhão, que desmentiu sua versão.
Uso de álcool e cocaína antes da tragédia
A denúncia do MP-SP aponta que o acidente ocorreu durante o retorno de uma viagem de Matheus para entregar uma carga em Eldorado (SP). Testemunhas relataram que, antes do ocorrido, ele fez uso de bebidas alcoólicas e cocaína, o que agrava a natureza de sua conduta. A combinação dessas substâncias com a direção de um veículo pesado demonstra um total desprezo pela segurança alheia.
Durante o trajeto, a promotoria detalha que Matheus realizou uma ultrapassagem forçada e, ao se aproximar de um radar, freou bruscamente. Nesse momento, a porta do caminhão se abriu e, ao tentar fechá-la, ele perdeu completamente o controle do veículo, resultando no atropelamento devastador. Esta sequência de eventos ilustra uma cadeia de decisões irresponsáveis que levaram a um desfecho fatal.
A promotoria atribui a Matheus os crimes de homicídio qualificado pela morte de Joyce Muraoka, tentativa de homicídio qualificado contra o sobrevivente e embriaguez ao volante. O Ministério Público solicita que ele seja julgado pelo Tribunal do Júri, instância que decidirá sobre sua culpa e a devida punição para um ato tão grave.
O pedido foi formalmente recebido pela 1ª Vara de Jacupiranga, o que solidifica a posição de Matheus como réu no processo. A decisão da Justiça não é definitiva, pois o caminhoneiro ainda será submetido a julgamento. A equipe de reportagem não conseguiu localizar a defesa de Matheus Henrique Poly Garcia para obter um posicionamento sobre o assunto.
O atropelamento e a tentativa de enganar a polícia
O atropelamento ocorreu na Rodovia José Edgard Carneiro (SP‑193), por volta das 18h30. As vítimas foram socorridas em Eldorado (SP), mas Joyce, infelizmente, não resistiu aos ferimentos. Após a colisão, o caminhão caiu em uma ribanceira, e o motorista tentou fugir para uma área de mata, sendo detido por testemunhas.
Na delegacia, Matheus Henrique Poly Garcia tentou ludibriar as autoridades, afirmando ser apenas passageiro e que outro homem conduzia o caminhão. No dia seguinte, a verdade veio à tona quando policiais civis localizaram o ajudante apontado como motorista. Este jovem, aos agentes, revelou que havia fugido do local a pedido do patrão. Encaminhado à delegacia, ele desmentiu a versão de Garcia, confirmando ser passageiro do veículo e apresentando um vídeo crucial que mostrava o caminhoneiro ao volante, embriagado, momentos antes da tragédia. Após prestar depoimento e entregar as evidências, o ajudante foi liberado.
A sociedade aguarda agora os próximos passos deste caso, na esperança de que a justiça seja feita e que a memória de Joyce Akemi Santana Muraoka seja honrada com a devida responsabilização dos culpados.
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