CRISE NO AGRONEGÓCIO

Mosaic reduz produção de fertilizantes no Brasil devido a conflito no Oriente Médio

Fachada e tanques de operação da fábrica Mosaic FERTILIZANTES.
Instalações da Mosaic FERTILIZANTES. Foto: Mosaic Fertilizantes/Divulgação.

Interrupção na oferta de enxofre afeta unidades em diversos estados. Empresa ajusta cronograma operacional enquanto monitora instabilidade no Estreito de Ormuz.

A Mosaic FERTILIZANTES anunciou uma reestruturação operacional em suas unidades no Brasil após enfrentar dificuldades severas na obtenção de enxofre, insumo vital para a produção de adubos fosfatados como DAP e MAP. A decisão, tomada pela companhia para mitigar os efeitos da escassez global, foi comunicada nesta terça-feira, 14/07/2026, e reflete as tensões geopolíticas que comprometem o suprimento agrícola nacional.

O agravamento do conflito no Oriente Médio atingiu diretamente a logística marítima no Golfo Pérsico. Com a instabilidade na região, o fluxo de enxofre — essencial para as lavouras de soja, milho, trigo, café e arroz — sofreu restrições severas. A necessidade de quatro toneladas do mineral para cada dez toneladas de fertilizante torna a operação inviável diante dos preços elevados e da desarticulação das rotas internacionais.

O impacto da medida alcança diversas regiões do país. Em Candeias (BA) e Catalão (GO), as unidades de mistura terão atividades paralisadas, com o futuro dos postos de trabalho dependendo de negociações sindicais em curso. Em Palmeirante (TO) e Sorriso (MT), a produção será reduzida, enquanto Tapira (MG) e Catalão (GO) terão as paralisações temporárias anteriormente anunciadas prorrogadas.

A situação é crítica para o complexo de Uberaba (MG), que será gradualmente paralisado a partir de setembro. Já no Paraná, o Porto da Fospar, em Paranaguá (PR), mantém operações normais apenas até o esgotamento dos estoques de ácido sulfúrico, previsto para o final de setembro. Em Cajati (SP), a produção de nutrição animal segue ativa via importações pontuais.

A companhia informou que a normalização das atividades depende da estabilização geopolítica e da reabertura das rotas marítimas monitoradas por forças internacionais, incluindo as tensões envolvendo o bloqueio no Estreito de Ormuz, citado em relatórios recentes após declarações de Trump.

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