ALERTA SOBRE EXERCÍCIOS

Morte súbita em corredores: entenda os riscos e a importância da prevenção

Corredores participando de uma maratona no parque Ibirapuera em São Paulo.
Imagem mostra corredores no Ibirapuera - Metrópoles

Especialistas explicam por que mesmo atletas com rotinas saudáveis podem sofrer eventos cardíacos graves durante provas de longa distância.

A morte do corredor Júlio Barreto, de 50 anos, após completar a SP City Marathon no último dia 26 de julho, em São Paulo, reacendeu o debate sobre os riscos da prática esportiva de alta intensidade. O episódio levanta uma questão central: por que indivíduos que mantêm hábitos saudáveis, realizam exames de rotina e evitam excessos ainda podem ser vítimas de morte súbita durante ou após uma prova? Segundo a médica Ana Paula Simões, representante da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE), a causa mais frequente é a doença arterial coronariana silenciosa. Essa condição evolui sem sintomas aparentes, mantendo exames de rotina dentro da normalidade até que um evento crítico, como um entupimento arterial, ocorra. O docente da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp), Andrey Jorge Serra, explica que corridas de longa distância impõem um estresse hemodinâmico severo ao organismo. Ao cruzar a linha de chegada, o corpo enfrenta uma transição abrupta em sua dinâmica sanguínea, o que pode atuar como um gatilho para distúrbios cardíacos em organismos suscetíveis. No entanto, o especialista ressalta que a incidência é baixa, ocorrendo em cerca de 2 casos para cada 100 mil praticantes. Embora o aumento do número de corredores no período pós-pandemia e a maior visibilidade nas redes sociais façam com que esses eventos pareçam mais comuns, os especialistas enfatizam que o sedentarismo representa um perigo muito maior. A falta de atividade física é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, AVC e câncer. Para garantir a segurança, a orientação é clara: nunca ignore sinais de alerta, como dor ou aperto no peito, falta de ar desproporcional, palpitações, suor frio, tontura ou náusea. Nesses casos, o atleta deve interromper a atividade imediatamente e buscar atendimento médico. Para quem não possui recursos para exames complexos, a atenção básica do SUS oferece suporte para o acompanhamento clínico inicial. A recomendação dos médicos é a progressão gradual: começar por caminhadas, evoluir respeitando os limites do corpo e evitar seguir desafios de redes sociais que estimulem o pulo de etapas no treinamento.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário