INVESTIGAÇÃO ACADÊMICA E LUTO

Morte de Jason Arday mobiliza academia após denúncias de plágio

Jason Arday carregando a chama olímpica entre Sutton e Merton
Jason Arday durante evento de revezamento da chama olímpica em 2012. Foto: Joe Giddens/AP

O sociólogo britânico, que ocupava cargo de destaque em Cambridge, enfrentava questionamentos sobre sua trajetória profissional e acadêmica.

Jason Arday, o sociólogo britânico reconhecido por ter se tornado o professor negro mais jovem da Universidade de Cambridge em 2023, foi encontrado morto em Londres, no Reino Unido, na sexta-feira (14). A partida do acadêmico ocorre em um momento de profunda instabilidade, marcada por acusações que questionavam a veracidade de sua trajetória acadêmica e alegações de plágio em sua tese de doutorado.

As contestações sobre a carreira de Arday ganharam visibilidade pública no mês passado, quando Nathan Cofnas, ex-pesquisador de filosofia da Universidade de Cambridge, trouxe a público questionamentos sobre suas qualificações. Além das suspeitas de plágio, veículos da imprensa britânica levantaram dúvidas sobre feitos relatados pelo professor, como a arrecadação de 5,5 milhões de libras para causas beneficentes e a realização de maratonas extremas.

Em 24 de julho, o jornal The Times apresentou uma análise da tese de doutorado de Arday, concluída em 2015, apontando trechos idênticos a publicações anteriores de outros autores. O cenário gerou pressão imediata sobre a Universidade de Cambridge, que, após defender inicialmente a lisura da contratação, anunciou a abertura de uma investigação formal ao receber novas informações sobre as credenciais do docente.

Na quinta-feira (13), Deborah Prentice, vice-reitora da instituição, anunciou uma revisão nos processos de contratação da universidade, enfatizando que o caso é tratado como uma exceção. Enquanto o ambiente acadêmico buscava respostas, apoiadores de Arday, incluindo acadêmicos e políticos, definiram as acusações como uma campanha difamatória motivada pelo racismo institucional.

Em nota oficial enviada pela editora Simon & Schuster do Reino Unido, a família de Arday lamentou a perda, destacando que o sociólogo enfrentou três anos de ataques contínuos. Segundo seus entes queridos, o desgaste causado pelo escrutínio público foi insuportável para o professor, que era descrito por seus próximos como um homem gentil e dedicado.

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