FENÔMENO ASTRONÔMICO RARO
Brasil aguarda até 2045 para novo eclipse solar total em seu território
A trajetória da sombra lunar limita a visibilidade total do Sol a faixas estreitas do planeta, exigindo décadas de espera para que o evento cruze o Brasil.
A observação de um eclipse solar total, evento que mobilizou admiradores na quarta-feira (12) em países como Groenlândia, Islândia, Espanha e Portugal, permanece como um espetáculo raro para quem vive no Brasil. A visibilidade do fenômeno depende da geometria precisa entre a Lua e o Sol, que define exatamente quais regiões do globo serão percorridas pela sombra lunar.
Segundo o Observatório Nacional, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a espera brasileira por um eclipse solar total estende-se até 12 de agosto de 2045. A faixa de totalidade, área onde o disco solar fica completamente encoberto pelo satélite, deverá cruzar estados das regiões Norte e Nordeste, enquanto as demais áreas do país acompanharão o evento de forma parcial.
A astrônoma Josina Oliveira do Nascimento, do Observatório Nacional, explica que a sombra da Lua projeta duas regiões distintas na Terra: a umbra, mais escura, responsável pelo eclipse total; e a penumbra, onde a luz solar é apenas parcialmente bloqueada. “Como a umbra cobre uma área relativamente pequena da superfície terrestre, a faixa de totalidade percorre apenas pontos específicos do planeta”, esclarece.
Antes do grande evento de 2045, os brasileiros poderão observar um eclipse solar anular em 6 de fevereiro de 2027. Neste caso, a Lua, em posição mais distante da Terra, não cobrirá todo o disco solar, permitindo a visualização de um anel luminoso. O fenômeno será percebido como parcial em quase todo o território nacional, exceto no extremo noroeste.
A longa espera entre os eventos totais no Brasil reflete a complexidade dos movimentos orbitais. Embora a Lua orbite a Terra mensalmente, a inclinação de sua órbita faz com que a sombra, na maioria das vezes, não atinja a superfície terrestre. Quando o alinhamento ocorre, a faixa de sombra é estreita, tornando o reencontro do fenômeno com um mesmo país um evento astronômico singular.
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