CORRUPÇÃO NA EDUCAÇÃO
Moraes manda prender Thiago Rangel por caixa 2 milionário
Decisão do STF aponta esquema de R$ 2,9 milhões em contratos da Educação do RJ. Valores teriam financiado campanhas eleitorais ilícitas.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira, 05/05/2026, a prisão do deputado estadual Thiago Rangel (Avante). A decisão detalha indícios de um esquema que teria desviado R$ 2,9 milhões em caixa dois eleitoral, com fortes conexões a contratos públicos na área de Educação no estado do Rio de Janeiro. Essa movimentação financeira ilícita levanta sérias preocupações sobre a probidade na gestão pública e o impacto direto na qualidade do ensino e no futuro de milhares de estudantes fluminenses.
Segundo a Polícia Federal (PF), os vultosos recursos fariam parte de uma complexa teia de corrupção administrativa, contratos direcionados e financiamento eleitoral ilícito. As informações embasaram a 4ª fase da Operação Unha e Carne. A defesa do parlamentar, por sua vez, nega veementemente a prática de quaisquer ilícitos, conforme nota divulgada ao fim desta matéria.
A Prisão e os Detalhes da Investigação
Thiago Rangel foi preso nesta terça-feira, 05/05/2026, durante uma ação que investiga fraudes em contratações de obras e serviços ligadas à Secretaria Estadual de Educação. A investigação é um desdobramento de provas cruciais, obtidas a partir de materiais apreendidos em fases anteriores da operação, que desnudaram a ligação política de Rangel com Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj.
Conforme apurado pela PF, o deputado Rangel teria assumido a gestão de parte do esquema criminoso após consolidar sua influência política regional, especialmente no Norte Fluminense, região que serve como base política de Bacellar.
A Origem do Dinheiro Ilícito
A decisão judicial aponta que os indícios sugerem que os recursos teriam origem em um sistema robusto de direcionamento de contratos públicos, focando majoritariamente em obras e serviços em escolas estaduais situadas no Norte Fluminense. A Polícia Federal descreve que o esquema operava por meio de:
- Contratações direcionadas, muitas vezes sob a fachada de dispensa de licitação;
- Uso estratégico de empresas previamente alinhadas ao grupo;
- Execução parcial ou de qualidade inferior dos serviços contratados;
- Desvio sistemático de parte dos recursos pagos pelo Estado.
Entre os exemplos explícitos na decisão estão contratos relacionados a reformas em escolas estaduais nas regiões Norte e Noroeste Fluminense, além de serviços contratados por unidades escolares com verbas descentralizadas da Secretaria de Educação. O grupo também teria atuado em órgãos municipais de Campos dos Goytacazes, como a Câmara de Vereadores e a Empresa Municipal de Habitação (EMHAB). A PF detalha que esse modelo, inicialmente desenvolvido no âmbito municipal, foi posteriormente replicado e ampliado para a esfera estadual, impulsionando o volume de recursos movimentados ilegalmente.
Estrutura Financeira Criminosa
O esquema contava com uma estrutura organizacional sofisticada para viabilizar o fluxo de recursos e a interlocução com empresários. Luiz Fernando Passos de Souza é apontado como o operador financeiro central do grupo, atuando diretamente em nome de Thiago Rangel. Suas responsabilidades incluíam:
- Intermediar contatos com empresários interessados em contratos públicos;
- Negociar o direcionamento de obras e serviços;
- Organizar a participação de empresas em processos licitatórios;
- Viabilizar o fluxo financeiro entre os contratos e o núcleo político.
A decisão sublinha que Luiz Fernando apresentava-se como representante de Rangel junto a um "pool" de empresários. Um trecho do documento enfatiza a confiança depositada no operador: "Ficou evidente também que essa relação direta com o ‘pool’ de empresários seria capitaneada por meio de Luis Fernando, que se colocara como representante do Deputado Estadual Thiago Rangel." A investigação ainda menciona empresas utilizadas no esquema, algumas em nome de terceiros ou "laranjas," com atuação diversificada na construção civil, prestação de serviços e fornecimento para obras públicas.
Destinação Eleitoral dos Valores
Parte significativa dos recursos desviados — estimados em R$ 2,9 milhões — teria sido destinada ao financiamento irregular de campanhas eleitorais. A PF indica que os valores teriam beneficiado a campanha de Thamires Rangel, filha do deputado, e de outros candidatos ligados à sua base política. Os repasses, realizados fora dos canais oficiais, configuram caixa dois eleitoral. Análises de mensagens revelam a existência de um acordo político-financeiro entre os integrantes do grupo.
Conversas entre Rangel e o operador financeiro indicam articulações para liberação de obras, expectativa de retorno financeiro e o planejamento explícito para o uso desses recursos em campanhas. Em um dos diálogos, a PF destaca uma menção à necessidade de "definição com Rodrigo" – interpretado como Rodrigo Bacellar – para assegurar a viabilização de contratos e, consequentemente, os recursos associados ao esquema.
Conexão com a Compra de Votos
Embora o foco principal da investigação seja caixa dois e corrupção administrativa, a decisão traz à tona um episódio que pode indicar o uso direto de recursos em práticas eleitorais ilegais. Em 2022, Fábio Pourbaix Azevedo, um dos investigados, foi preso portando R$ 39 mil em dinheiro vivo e material de campanha de Thiago Rangel.
Esse incidente é citado na decisão como um elemento que fortalece o contexto de atuação do grupo, sugerindo que os recursos obtidos por meio do esquema poderiam ter sido empregados não apenas para o financiamento indireto de campanhas, mas também para práticas eleitorais ilícitas diretas, como a compra de votos.
O Que Dizem os Envolvidos
A defesa de Thiago Rangel reiterou que o deputado nega qualquer irregularidade e expressou plena confiança no devido processo legal. "Neste momento, está se inteirando dos fatos, do teor da investigação e das medidas eventualmente determinadas, reafirmando desde logo a plena confiança nas instituições e no devido processo legal. O deputado nega a prática de quaisquer ilícitos e prestará todos os esclarecimentos necessários nos autos da investigação, local próprio para a apuração dos fatos. A defesa ressalta, por fim, que qualquer conclusão antecipada é indevida antes do conhecimento integral dos elementos que fundamentaram a medida", afirmou a nota.
A defesa de Rodrigo Bacellar, em manifestações anteriores, igualmente negou qualquer envolvimento em ilícitos. A Secretaria Estadual de Educação informou que está em processo de revisão de seus procedimentos e assegura total colaboração com os órgãos de controle, buscando transparência e aprimoramento da gestão.
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