DECISÃO STF

Moraes aguarda defesa de Bolsonaro explicar porte de arma em domiciliar

Foto de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal.
Ministro Alexandre de Moraes, do STF, aguarda manifestação da defesa de Jair Bolsonaro.

Ministro Alexandre de Moraes definirá se posse de pistola em residência configura falta grave durante prisão domiciliar humanitária de Jair Bolsonaro. Procuradoria-Geral da República pede cautela.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), aguarda a manifestação da defesa de Jair Bolsonaro (PL) para decidir se a posse de uma arma de fogo em sua residência configura “falta grave” durante o cumprimento da prisão domiciliar humanitária. O ex-presidente completou 90 dias preso em casa na última quarta-feira, 24 de julho de 2026.

O caso teve início após a apreensão de uma pistola Glock calibre 9 mm registrada em nome do ex-presidente. A arma foi encontrada em 15 de junho de 2026 em um veículo conduzido pelo militar Estácio Leite da Silva Filho, que atua na segurança de Bolsonaro.

Em depoimento à Polícia Civil, Bolsonaro admitiu ser dono da pistola e afirmou mantê-la em casa durante o cumprimento da prisão domiciliar. Ele justificou a posse dizendo que não poderia "ficar desarmado" por ter "três mulheres em casa": sua esposa, Michelle, sua filha, Laura, e sua enteada, Letícia.

Segundo Moraes, a Lei de Execução Penal classifica como falta grave a posse indevida de instrumento capaz de ferir terceiros. Caso a infração seja reconhecida, Bolsonaro pode sofrer sanções na execução da pena, incluindo a regressão de regime e o fim da prisão domiciliar humanitária, impactando diretamente sua liberdade e dignidade.

Antes de decidir se a apreensão da arma de fogo pode afetar a prisão domiciliar do ex-presidente, Moraes concedeu prazo de 48 horas para manifestações da PGR (Procuradoria-Geral da República) e da defesa.

Em parecer encaminhado ao STF na quinta-feira, 25 de julho de 2026, Paulo Gonet recomendou que a Corte aguarde a conclusão das apurações sobre a pistola apreendida. Para a PGR, o episódio ainda está em fase inicial e, por ora, não há elementos suficientes para caracterizar falta disciplinar ou descumprimento das condições impostas ao ex-presidente.

O posicionamento aponta ainda que a configuração de uma falta como grave "exige mais do que a subsunção do fato à norma, demandando a análise dos impactos da conduta ilícita na ordem jurídica e no objeto e finalidade da execução penal".

Com o parecer da PGR já juntado aos autos, o processo aguarda agora a resposta da defesa. Em seguida, Moraes decidirá se determina o retorno de Bolsonaro ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha, ou se acata a orientação do Ministério Público e aguarda o desfecho da investigação conduzida pela Polícia Civil do DF.

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