CRIS E SAÚDE MENTAL
Moradora do Espírito Santo perde mais de R$ 500 mil em apostas on-line
Uma família relata os impactos devastadores da ludopatia, enquanto especialistas recomendam ferramentas de autoexclusão e reforçam a importância de uma rede de apoio.
Uma moradora do Espírito Santo perdeu mais de R$ 500 mil em apostas on-line, quantia que seria utilizada para a quitação de um imóvel, conforme relatado por um familiar em 11/07/2026. A decisão de buscar ajuda surgiu após o agravamento do quadro de ludopatia — transtorno caracterizado pelo vício em jogos de azar — que passou a comprometer a saúde financeira e a dignidade do indivíduo, transformando a rotina do núcleo familiar.
O vício, muitas vezes camuflado por interfaces coloridas e ludicamente infantis, torna-se um desafio invisível. Segundo o relato familiar, a compulsão evoluiu a ponto de necessidades básicas serem negligenciadas em prol do jogo, exigindo um nível de suporte emocional e vigilância constante que difere da dependência química tradicional, justamente pela acessibilidade do celular.
Para auxiliar na contenção desse problema, o governo federal disponibilizou, no portal Gov.br, uma ferramenta de autoexclusão. A medida permite que o usuário solicite o bloqueio de acesso a plataformas regulamentadas, bem como a interrupção de publicidade direcionada.
Rodolfo Villaça, professor de Segurança Digital da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), pondera que a eficácia da ferramenta está atrelada à legalidade da plataforma. “Esse bloqueio funciona para casas de apostas autorizadas na Receita Federal. Operadoras na ilegalidade permanecem fora do alcance imediato, contudo, a medida é uma estratégia válida para mitigar danos”, explica.
O psiquiatra João Paulo Cirqueira reforça o papel terapêutico da restrição. “A ferramenta reduz a chance de exposição ao dano, sendo essencial para quem lida com quadros de dependência”, afirma. Especialistas enfatizam que sinais como isolamento social, irritabilidade excessiva e descontrole financeiro súbito são alertas vermelhos que exigem acolhimento e busca por tratamento médico especializado.
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