GESTÃO DE VOO
Múcio, Hugo e Camilo lideram lista de autoridades que mais demandaram FAB
Força Aérea Brasileira realizou 591 viagens para transportar autoridades nos primeiros seis meses deste ano. Uso das aeronaves levanta debate sobre finalidade pública.
A FAB (Força Aérea Brasileira) realizou 591 voos durante o primeiro semestre deste ano para transportar integrantes do Executivo e do Legislativo. O volume de decolagens supera o registrado no mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas 571 viagens oficiais.
O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, aparece no topo da lista com 90 solicitações de aeronaves, um aumento expressivo frente às 36 requisições de 2025. Segundo apuração, a maior parte das solicitações por parte do ministério foi destinada a ministros do STF sob alegação de segurança, conforme permite um decreto de 2020 assinado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), figura em segundo lugar com 64 voos, sustentando o uso na necessidade de segurança e requisitos legais. Em terceiro, o Ministério da Educação, sob a gestão de Camilo Santana (PT-CE) até abril e, posteriormente, de Leonardo Barchini, somou um alto índice de deslocamentos. O senador Camilo Santana justificou o uso das aeronaves como parte da Caravana Aqui Tem MEC, visando visitas técnicas a universidades e institutos federais, inclusive o Novo PAC.
A transparência sobre a finalidade dos voos é um ponto sensível. Relatórios indicam que aeronaves foram utilizadas por autoridades para comparecer a velórios e missas, além de deslocamentos frequentes para redutos eleitorais. Em contrapartida, o ministro Luiz Edson Fachin, presidente do STF, tem mantido uma postura distinta ao optar por voos comerciais em compromissos oficiais, mesmo possuindo a prerrogativa de requisitar a FAB.
Diante desse cenário, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República endureceu as normas para o uso de transporte oficial. As novas diretrizes exigem que autoridades detalhem as condições logísticas e financeiras ao participarem de eventos que misturem compromissos funcionais com atos político-partidários, reforçando o critério funcional da atividade pública.
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