AVANÇO NA CARDIOLOGIA
Molécula reduz danos por infarto em testes com RATOS realizados na Unicamp
Estudo conduzido por cientistas da Unicamp demonstra que composto melhora fluxo sanguíneo e preserva células cardíacas, dependendo da dosagem aplicada.
Uma molécula capaz de atenuar danos severos causados por infarto foi identificada por pesquisadores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) em experimentos realizados com RATOS. A descoberta, detalhada em estudo publicado na revista Scientific Reports em 18/08/2026, oferece uma nova perspectiva sobre o controle do estresse oxidativo que agrava as lesões cardíacas após a interrupção do fluxo sanguíneo.
O composto analisado é a S-nitrosoglutationa (GSNO), uma molécula que libera óxido nítrico, gás produzido naturalmente pelo corpo humano com propriedades vasodilatadoras. A aplicação do composto visou combater a chamada lesão por isquemia e reperfusão, fenômeno onde o restabelecimento da circulação após um infarto acaba provocando inflamações que ampliam a morte de células cardíacas.
Dependência de dosagem
Os testes revelaram que o benefício clínico da GSNO é estritamente dependente da dose administrada. Ao testar concentrações de 200 µM e 500 µM em corações de RATOS, a equipe constatou que, embora ambas as dosagens tenham melhorado o fluxo sanguíneo, apenas a menor concentração (200 µM) reduziu a área lesionada pelo infarto e preservou a função das mitocôndrias — as usinas de energia das células.
"Quando há uma isquemia e o fluxo é restabelecido, o coração sofre um surto de estresse oxidativo e inflamação que agrava a morte do tecido cardíaco", explicou Marcelo Ganzarolli de Oliveira, professor do Instituto de Química da Unicamp. Segundo o pesquisador, a dose de 500 µM não ofereceu proteção adicional e apresentou risco de toxicidade celular.
Próximas ETAPAS
Embora os resultados sejam promissores, a pesquisa encontra-se em fase pré-clínica, sendo classificada como uma prova de conceito. Isso significa que a eficácia e a segurança do tratamento em humanos ainda não foram demonstradas.
O grupo planeja agora incorporar a GSNO em hidrogéis para aplicação externa no coração durante cirurgias, além de investigar o uso de stents impressos em 3D para a liberação controlada da substância. O projeto conta com o apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e colaboração de instituições nos Países Baixos, como as universidades de Twente e Eindhoven.
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