G7: REUNIÃO IMPROVÁVEL
Ministro Márcio Elias Rosa afirma que encontro entre Lula e Trump no G7 é improvável
Ministro da Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, avalia que delegação brasileira reduzida no evento na França dificulta diálogo bilateral com presidente dos Estados Unidos. Governo busca negociar tarifas.
A possibilidade de uma reunião bilateral entre o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Presidente Donald Trump durante a cúpula do G7, que ocorrerá em Évian-les-Bains, na França, é considerada pouco provável. A avaliação foi feita pelo ministro Márcio Elias Rosa, responsável pela Indústria e Comércio, nesta quarta-feira, 10/06/2026. Ele argumentou que a delegação brasileira que participará do encontro é enxuta, o que impõe desafios logísticos para um diálogo desse porte.
O governo brasileiro intensifica esforços para negociar com os Estados Unidos a suspensão de novas tarifas sobre produtos nacionais. A proposta, anunciada na semana passada pelo USTR (escritório do representante comercial dos Estados Unidos), prevê a imposição de sobretaxas que podem atingir até 37,5% sobre uma vasta gama de mercadorias brasileiras, embora haja uma lista de exceções.
A decisão final sobre a aplicação dessas tarifas cabe ao presidente Donald Trump. O ministro Márcio Elias Rosa, ao ser questionado por jornalistas no Itamaraty sobre a expectativa de um encontro com Trump no G7, foi categórico: "Acho que não vai". Ele ainda mencionou que nos próximos dias se reunirá novamente com Jamieson Greer, representante de comércio americano, na tentativa de reverter a medida.
O ministro Sidônio Palmeira, da Secom, corrobora a visão de que não há agendamento formal entre os líderes. Contudo, ele pondera que em eventos de menor porte como o G7, onde há maior proximidade entre os participantes, o contato informal entre os presidentes não pode ser totalmente descartado.
O ministro da Agricultura, André de Paula, destacou a determinação do Presidente Lula em dialogar e negociar incansavelmente para evitar o aumento das tarifas, ressaltando a disposição brasileira para encontrar soluções.
As declarações dos ministros ocorreram na sede do Ministério de Relações Exteriores, antes de uma reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (Conselhão), foro que reúne diversos setores da sociedade para apresentar sugestões ao governo.
A movimentação diplomática em torno das tarifas e a busca por um diálogo com os Estados Unidos transcendem a esfera puramente econômica. Em um cenário político aquecido, com Lula buscando a reeleição em outubro, a capacidade de defender os interesses nacionais no palco internacional se configura como um trunfo eleitoral. Essa postura busca contrastar com a de seu principal opositor, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que tem estreitado laços com Donald Trump. Recentemente, a ameaça de tarifas e a classificação de facções brasileiras como terroristas pelos EUA coincidiram com um encontro entre Flávio Bolsonaro e o ex-presidente americano.
O Presidente Lula tem instruído aliados a ressaltarem o papel de Flávio Bolsonaro como um potencial "traidor" dos interesses brasileiros e pretende fazer da soberania nacional um pilar central de sua campanha. Essa estratégia remete a um episódio anterior, em 2025, quando o discurso em defesa da soberania após um primeiro "tarifação" imposta pelos EUA rendeu ao presidente altos índices de popularidade.
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