CRÍTICA INTERNACIONAL
Ministro da Fazenda critica atuação de Flávio Bolsonaro nos EUA
Dario Durigan classifica como "lamentável" e inconstitucional a iniciativa do pré-candidato do PL de buscar "munição de ataque" ao Brasil no exterior, em meio à negociação de tarifas.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou a atuação do pré-candidato à Presidência da República e senador Flávio Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos como "lamentável". Durigan afirmou, em Pequim, que a iniciativa do senador de buscar audiência em Washington para discutir tarifas contra o Brasil descumpre a Constituição Federal e prejudica o país.
A declaração ocorreu em resposta a jornalistas sobre o pedido de Flávio Bolsonaro para se inscrever em uma audiência pública que tratará das tarifas anunciadas contra o Brasil, marcada para 6 de julho. Segundo o ministro, o pré-candidato "passa por cima da institucionalidade brasileira" e causa prejuízos não apenas ao governo federal, mas também a empresas brasileiras.
"Você não pode usar um ator que tem sede e lucratividade no exterior para ter um financiamento de uma campanha que acontece no Brasil, isso é proibido pela nossa Constituição e o que o candidato hoje de oposição faz é exatamente isso, buscar elementos, financiamentos, fundamentos, munição de ataque ao Brasil no plano externo", declarou Durigan.
O ministro também classificou as tarifas norte-americanas como "injustas" e afastou a possibilidade de que elas exerçam pressão sobre os trabalhos do Ministério da Fazenda. A viagem de Durigan à China teve como objetivo principal selar acordo com o banco central chinês para emissão de títulos da dívida em yuans, a moeda chinesa. Este movimento busca alternativas ao dólar em um momento de tensão entre Brasil e Estados Unidos.
Durigan explicou que sua equipe econômica analisou os riscos da emissão de títulos em yuan na relação com os EUA e conversou com diplomatas. A decisão, no entanto, foi batida por se tratar de uma "decisão soberana" do governo brasileiro em diversificar suas fontes de captação e abrir portas para empresas brasileiras na China. Empresas como Vale e Weg avaliam aderir aos Panda Bonds, enquanto a Suzano já emitiu dívida em yuans.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro afirmou na terça-feira, 23 de junho, que pediu para participar da audiência norte-americana "para fazer a defesa das empresas brasileiras, para que não sejam tarifadas em mais 25% sobre os produtos exportados". O gabinete do senador informou que ele se inscreveu para discursar por 5 minutos, mas sua presença ainda não aparece na lista de inscritos. O prazo para pedidos de inscrição é 1º de julho.
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