JULGAMENTO DA TAXA

Ministro cobra mais transparência do Banco Central nas decisões sobre a Selic

George Santoro, Ministro dos Transportes, falando em evento.
Ministro dos Transportes, George Santoro, cobra mais transparência do Banco Central.

George Santoro (Transportes) aponta que juros elevados prejudicam o financiamento de grandes projetos de infraestrutura e defende maior clareza nas metodologias do Copom.

O ministro dos Transportes, George Santoro, solicitou nesta sábado, 20 de junho de 2026, um aumento na transparência das decisões tomadas pelo Banco Central a respeito da Selic, a taxa básica de juros do país.

A fala ocorreu durante a cerimônia de inauguração da Ferrovia Estadual de Mato Grosso, em Dom Aquino (MT). Santoro argumentou que a autoridade monetária deveria detalhar mais os critérios que orientam o Comitê de Política Monetária (Copom) ao definir a taxa. Como exemplo, o ministro mencionou o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, que, segundo ele, grava e divulga suas reuniões, promovendo maior clareza aos procedimentos.

“O Banco Central precisa discutir a transparência das suas decisões, como é fixada essa taxa. É importante discutir isso. É preciso dar transparência à metodologia. Não estou discutindo a independência, mas a forma. Nós precisamos melhorar a transparência para construir uma agenda fundamental, que é juros compatíveis com o desenvolvimento da infraestrutura e de novos negócios”, declarou George Santoro em Dom Aquino (MT).

Na última quarta-feira, 17 de junho, o Copom decidiu, por unanimidade, por um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, fixando-a em 14,25% ao ano. Este marca o terceiro corte consecutivo com a mesma magnitude.

Ainda que o ciclo de redução de juros esteja em andamento, representantes do setor industrial e membros do governo seguem manifestando descontentamento com o patamar atual da taxa. O Brasil ostenta a maior taxa de juros real do mundo, o que impacta diretamente o custo de capital para investimentos.

“Infelizmente vivemos juros muito altos no Brasil e empreendedores como a Rumo, que querem fazer uma ferrovia de R$ 5 bilhões, precisam de apoio, e o governo federal, por meio de linhas especiais como debêntures incentivadas ancoradas pelo BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], ajudou nesse empreendimento”, exemplificou Santoro, reforçando a necessidade de condições financeiras mais favoráveis para grandes projetos.

Desde que assumiu o Ministério dos Transportes, em abril, Santoro tem defendido a participação ativa do Estado no financiamento de obras de grande porte na área de infraestrutura, como ferrovias, pois a iniciativa privada, por si só, não consegue arcar integralmente com os custos desses empreendimentos.

O ministério está empenhado em reativar o programa federal de concessões ferroviárias. Atualmente, a carteira do programa inclui 8 projetos com previsão de leilão entre o segundo semestre de 2026 e 2027.

Para estimular a atração de investidores, o governo anunciou a criação de uma linha de financiamento específica do BNDES para ferrovias, com prazos de pagamento estendidos em até 40 anos, visando tornar os projetos mais viáveis financeiramente.

O jornalista viajou a convite da Rumo Logística.

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