SAÚDE PARA TODOS
Ministério da Saúde lança política nacional para ampliar atendimento à população em situação de rua
A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da População em Situação de Rua (PNAIS Rua) visa combater discriminações e ampliar o acesso a serviços do SUS com unidades móveis e financiamento expandido.
Na quarta-feira, 24/06/2026, o Ministério da Saúde, sob a liderança do ministro Alexandre Padilha, decidiu lançar a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da População em Situação de Rua (PNAIS Rua). A iniciativa surge como resposta à necessidade urgente de garantir atendimento digno e qualificado a este grupo vulnerável, com o objetivo de combater discriminações e ampliar o acesso aos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS).
A nova política busca enfrentar barreiras cruciais como aporofobia, racismo e LGBTQIA+fobia, preconceitos que frequentemente impedem pessoas em situação de rua de buscarem ou receberem cuidados de saúde adequados. "O nosso objetivo é cuidar melhor dessas pessoas e ampliar esse acompanhamento para buscar chegar a todas as pessoas que estão em situação de rua", declarou Padilha, ressaltando o impacto direto na dignidade humana.
Como parte fundamental da estratégia, o Ministério da Saúde anunciou a destinação de 400 unidades móveis de rua (UMR) para municípios e o Distrito Federal. Esses veículos serão essenciais para potencializar o trabalho das equipes de Consultório na Rua, que realizam atendimentos itinerantes, levando cuidados diretamente a quem mais precisa. O investimento totaliza R$ 144 milhões, com a entrega dos veículos prevista para 2026 e 2027. Essa medida representa um avanço significativo, pois permitirá a realização de consultas médicas e de enfermagem, pré-natal, curativos, distribuição de medicamentos e exames, promovendo a busca ativa por pacientes, como no caso de gestantes que precisam de acompanhamento precoce.
Além disso, a pasta ampliará o financiamento das equipes de Consultório na Rua, atualmente responsáveis por parte dos custos de 335 equipes em 207 cidades. Municípios com mais de 100 mil habitantes e cidades menores com pelo menos 80 pessoas em situação de rua cadastradas poderão pleitear recursos federais, assegurando maior capilaridade e cobertura aos serviços.
A PNAIS Rua estrutura-se em sete eixos essenciais: Atenção integral à saúde, com fortalecimento de estratégias de redução de danos e acompanhamento pós-alta hospitalar; Enfrentamento das discriminações, combatendo preconceitos e incentivando estudos sobre seus impactos; Dados e monitoramento, com a inclusão obrigatória do campo "população em situação de rua" nos sistemas do SUS para a criação de indicadores precisos; Gestão participativa, ampliando a voz da população em situação de rua nos espaços de controle social; Educação permanente, capacitando gestores e profissionais para um atendimento humanizado; Vigilância em saúde, com protocolos de proteção e respostas rápidas a eventos climáticos extremos; e Promoção da saúde e cidadania, articulando com outras áreas para garantir segurança alimentar e redução de desigualdades. A política foi elaborada em consenso entre União, estados e municípios, por meio de um Comitê Técnico que envolve gestores públicos, instituições de ensino e movimentos sociais, garantindo que a decisão seja definitiva e focada no bem-estar da população.
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