SAÚDE ANTIRRACISTA JÁ
Ministério da Saúde amplia oficinas contra racismo infantil
Iniciativa em parceria com Unicef percorre 10 estados; investimento chega a R$ 135 milhões até 2027.
Em uma ação crucial para a equidade social e a dignidade humana, o Ministério da Saúde (MS), em colaboração com o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), intensifica as oficinas da Primeira Infância Antirracista na Atenção Primária à Saúde (PIA na APS) em diversas capitais brasileiras. A iniciativa, que celebra os 17 anos da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, busca combater o impacto devastador do racismo no desenvolvimento infantil, garantindo um futuro mais justo e saudável para as crianças negras do país, com novas etapas a partir desta sexta-feira, 15 de maio de 2026. A primeira edição do programa aconteceu em Fortaleza no dia 30 de abril de 2026.
As oficinas, que já passaram por Fortaleza e percorrerão Recife, Rondônia, Goiás, Bahia, Amazonas, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Pará, trazem à tona debates essenciais sobre o racismo como determinante social da saúde. Profissionais da Atenção Primária do SUS (Sistema Único de Saúde) participam de palestras informativas e oficinas práticas. O objetivo é duplo: identificar e valorizar as iniciativas locais de combate ao racismo e desenvolver planos municipais que systematizem e impulsionem a estratégia da PIA na APS.
"Esses documentos serão formatados por profissionais, gestores e representantes das secretarias de Saúde de cada município presentes nas oficinas e têm como objetivo subsidiar e sistematizar as ações para a implementação da estratégia na Atenção Primária", explica Rose Santos, coordenadora-geral de Atenção à Saúde da População Negra na APS. Sua fala ressalta o compromisso em traduzir teoria em prática, diretamente nas comunidades.
As atividades visam fortalecer a equidade racial, promover justiça social por meio de práticas inclusivas, valorizar as existências negras e reconhecer o racismo como um obstáculo real e complexo às condições de saúde da população negra no Brasil. A Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, que agora completa 17 anos, consolida-se como um dos programas de saúde antirracistas mais importantes do mundo. “Ela não é apenas uma política estatal, mas o resultado da luta histórica do movimento negro brasileiro”, lembra Rose Santos, reforçando a importância da participação social em sua construção.
Estratégias antirracistas no SUS buscam financiar equipes de Saúde da Família
Em 2026, o Ministério da Saúde lançou um incentivo financeiro que custeia mensalmente equipes de Saúde da Família que atuam especificamente em territórios de população quilombola. Este investimento abrange 1.250 profissionais credenciados e o mapeamento de unidades de atendimento descentralizado, incluindo carros e embarcações para acesso a regiões mais remotas. A estimativa total do investimento se aproxima de R$ 135 milhões, com R$ 54 milhões previstos para este ano e R$ 81 milhões destinados a 2027, demonstrando um compromisso financeiro robusto com a saúde de comunidades tradicionais.
Outro pilar fundamental do programa foca na saúde das mulheres negras, que representam 60,9% dos usuários do SUS, conforme dados da Pesquisa Nacional de Saúde (IBGE, 2020). Esta iniciativa prioritária busca reduzir a mortalidade infantil e materna, além de desenvolver políticas específicas de saúde mental e sexual que atendam às necessidades e vulnerabilidades enfrentadas por este grupo.
Para os próprios trabalhadores do SUS, foi criado o Programa Nacional de Equidade de Gênero, Raça, Etnia e Valorização das Trabalhadoras no SUS. Dados da SGTES (Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde) revelam que 67% das trabalhadoras do SUS são mulheres, sendo grande parte delas mulheres pretas e pardas. O programa oferece ações de saúde mental, acolhimento e ferramentas para o enfrentamento de violências no ambiente de trabalho, reconhecendo e valorizando o papel essencial dessas profissionais na estrutura da saúde pública brasileira.
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