RETORNO DE DELEGADOS

Ministério da Justiça determina retorno de delegados cedidos, gerando receios sobre investigações

Ofício do Ministério da Justiça sobre retorno de policiais federais cedidos.
O Ministério da Justiça enviou ofícios determinando o retorno de policiais federais cedidos a outros órgãos.

Decisão do Ministério da Justiça visa reforçar a estrutura da Polícia Federal, mas críticos temem impacto em apurações sensíveis.

O Ministério da Justiça decidiu, na quarta-feira, 17 de junho de 2026, determinar o retorno de cerca de 100 policiais federais cedidos a outros órgãos. A medida, oficializada por meio de ofícios assinados pelo secretário-executivo Ademar Borges, visa fortalecer as atividades finalísticas da Polícia Federal e combater o crime organizado, conforme diretriz presidencial anunciada em abril. A decisão, contudo, gerou apreensão entre delegados e magistrados, que temem um possível impacto em investigações sensíveis em andamento, especialmente aquelas que envolvem aliados do governo federal.

Ofícios foram enviados a mais de 50 órgãos da administração pública federal, estadual e municipal. A determinação busca realocar os servidores para suas funções de origem, reforçando, segundo o governo, a segurança pública. No entanto, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) manifestou preocupação, apontando que a saída dos profissionais pode prejudicar órgãos que dependem de suas atuações em funções estratégicas e de alta relevância para o Estado. A entidade também contestou o argumento do impacto significativo no combate ao crime, afirmando que apenas 53 delegados, menos de 3% do efetivo da carreira, atuam cedidos a outros órgãos.

Nos bastidores, a medida é interpretada como uma possível estratégia para influenciar investigações em curso. Entre os casos citados, estão os inquéritos que apuram descontos indevidos em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e supostas fraudes envolvendo o Banco Master. Recentemente, as apurações sobre o INSS avançaram sobre pessoas próximas ao governo, enquanto a operação ligada ao Banco Master alcançou o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Há também o receio de que a atuação de delegados em casos como o do Banco Master possa ser comprometida.

A discussão ganha relevância em um contexto de mudanças recentes na condução da Operação Sem Desconto, que investiga desvios no INSS. No mês passado, a coordenação do caso foi transferida pela própria Polícia Federal da área de crimes previdenciários para a Coordenação de Inquéritos dos Tribunais Superiores (Cinq). A corporação justificou a mudança como uma forma de ampliar o suporte técnico à investigação, dada a estrutura especializada da Cinq para casos sensíveis.

A decisão do Ministério da Justiça já chegou a tribunais como o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e a tribunais regionais federais. O Supremo Tribunal Federal (STF) informou não ter recebido comunicação semelhante até o momento. Integrantes da pasta afirmam que um documento foi direcionado ao presidente do STF e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, relativo a policiais lotados no conselho.

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