CELULAR NAS ESCOLAS

Ministério da Educação enfrenta resistência de estudantes na aplicação da lei contra celulares em escolas

Uma escola com alunos guardando celulares.
Celular na escola

Pesquisa do MEC aponta que, apesar de 92% das instituições terem implementado a restrição, 39% dos gestores relatam alta dificuldade na adesão dos alunos e carência de infraestrutura para guardar os aparelhos.

Nesta terça-feira, 30/06/2026, o Ministério da Educação (MEC), em parceria com o Inep e o Instituto Alana, divulgou os resultados de uma pesquisa nacional que aponta um cenário complexo na aplicação da Lei nº 15.100/2025, que proíbe o uso de celulares nas escolas. Embora 92% das instituições de ensino brasileiras já afirmem ter implementado a restrição ao uso de aparelhos eletrônicos para fins não pedagógicos, 39% dos gestores educacionais relatam ter alta dificuldade em conquistar a adesão dos estudantes às novas regras. Outros 39% indicam a falta de infraestrutura adequada para o armazenamento dos aparelhos como um obstáculo significativo. A pesquisa ouviu gestores de 8.189 escolas, buscando entender a interpretação e aplicação da legislação em unidades escolares de todo o país.

Sancionada pelo presidente Lula em janeiro de 2025 e em vigor desde o início do ano letivo subsequente, a Lei nº 15.100/2025 visou proibir o uso de celulares durante aulas, recreios, intervalos e atividades extracurriculares. Os dados revelam um avanço considerável na adoção da política: a permissão irrestrita de celulares praticamente cessou, e a proporção de escolas que restringem o uso em todos os espaços escolares mais que dobrou, passando de 20% para 48%. Antes da lei, 13% das escolas permitiam o uso livre de aparelhos, percentual que agora é zero.

Entre os principais achados do levantamento, destacam-se:

  • 92% das escolas afirmam já ter implementado a lei.
  • 45% permitem o uso apenas em atividades mediadas por profissionais da escola.
  • 39% relatam dificuldade alta para conquistar a adesão dos estudantes.
  • 39% apontam falta de infraestrutura para guardar os aparelhos.
  • 31% mencionam dificuldade para fiscalizar continuamente as regras.

A despeito dos desafios na aplicação, os gestores percebem efeitos positivos. A maioria concorda que a restrição ao celular contribuiu para ampliar a participação dos estudantes em atividades pedagógicas e melhorar a concentração em sala. Concretamente, 97% dos gestores indicam que a medida ampliou a participação em atividades pedagógicas, 95% notam melhora na concentração e outros 95% afirmam que a regra estimulou a socialização presencial.

O impacto no clima escolar também é perceptível: 88% associam a lei à redução de conflitos, agressões digitais e cyberbullying, enquanto 86% apontam diminuição da ansiedade entre os alunos. Além disso, 67% relatam um aumento em atividades manuais, lúdicas e artísticas, evidenciando um movimento em direção a práticas mais interativas e menos dependentes de dispositivos eletrônicos para fins recreativos.

Interessantemente, a restrição aos celulares não implicou uma queda no uso pedagógico de tecnologias digitais. Segundo a pesquisa, 86% dos gestores afirmam que as atividades com tecnologia foram mantidas ou até ampliadas. Apenas 71% discordam da ideia de que a restrição limita o desenvolvimento de habilidades digitais, sugerindo que as escolas buscam diferenciar o uso pedagógico do uso recreativo. As prioridades apontadas pelos gestores para o sucesso da lei incluem a parceria com as famílias para estabelecer limites de tempo de tela (67%) e a formação docente em mediação tecnológica, saúde mental e bem-estar (61%).

A pesquisa, realizada com cooperação da UNESCO, reitera que, embora a lei tenha avançado na formulação das regras, sua aplicação uniforme ainda depende de condições materiais e organizacionais robustas, como infraestrutura para armazenamento seguro dos aparelhos e estratégias eficazes para garantir a adesão estudantil e a fiscalização contínua.

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