CRIS INTERNA NO PL

Michelle Bolsonaro anuncia saída da presidência do PL Mulher e ala feminina tenta equilibrar apoio a ela e a Flávio Bolsonaro

Foto de Michelle Bolsonaro.
Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama.

Ex-primeira-dama alega necessidade de cuidar da família após desentendimento com o enteado. Lideranças femininas do partido buscam conciliação, elogiando Michelle, mas sem desamparar a pré-candidatura de Flávio à Presidência.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou, na terça-feira (30/6), sua saída da presidência do PL Mulher. A decisão, comunicada após conversa com o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi justificada pela necessidade de se dedicar integralmente aos cuidados com o marido e a filha, Laura Bolsonaro. O desdobramento intensifica a crise familiar e política que envolve a família Bolsonaro e o Partido Liberal (PL).

O racha público entre Michelle e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, colocou as lideranças femininas do PL em uma posição delicada. Elas buscam um equilíbrio que permita apoiar Michelle diante de ataques recentes, ao mesmo tempo em que sustentam a pré-candidatura de Flávio.

Seis parlamentares prestaram apoio público a Michelle, agradecendo seu trabalho à frente do PL Mulher. Entre elas estão as vereadoras Gislayne Yamashita (PL-MT), Carlise Kwiatkowski (PL-PR) e Priscila Costa (PL-CE), além das deputadas federais Carla Dickson (PL-RN) e Chris Tonietto (PL-RJ), e a pré-candidata a deputada federal Maria Amélia (PL-DF). Essas lideranças destacaram o fortalecimento das mulheres e a consolidação de um projeto político em todo o país sob a gestão de Michelle.

A crise teve como estopim a disputa pela indicação do PL ao Senado no Ceará. Michelle apoia a vereadora Priscila Costa, enquanto Flávio Bolsonaro prefere o deputado estadual Alcides Fernandes. Priscila Costa relatou ter sido "maltratada" durante as negociações e acusou aliados de Flávio de articularem para sua exclusão da disputa, mesmo após seu papel decisivo na campanha de André Fernandes (PL) à Prefeitura de Fortaleza em 2024.

Em meio às tentativas de reduzir as tensões, Priscila Costa participou de um encontro com o senador Flávio Bolsonaro e reiterou apoio à sua pré-candidatura à Presidência, enfatizando que "fidelidade e compromisso é o que o Brasil e o Ceará merecem".

Outras figuras proeminentes do bolsonarismo, como as deputadas Ana Campagnolo (PL-SC), Júlia Zanatta (PL-SC), Soraya Santos (PL-RJ), Carol De Toni (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF), optaram pelo silêncio ou buscaram minimizar o conflito. Bia Kicis, amiga próxima de Michelle, esteve presente em reunião com Flávio e declarou apoio ao senador, classificando as divergências internas como uma "guerra" a ser evitada diante do "inimigo é o PT, a esquerda". Ela também afirmou que Flávio é o "nosso líder e será o nosso presidente".

A crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro tornou-se um dos maiores rachas públicos da família e do PL. Michelle relatou ter sido "humilhada", "maltratada" e "desrespeitada" por Flávio em uma ligação no final de 2025, durante discussões sobre estratégias eleitorais. Ela também acusou aliados do senador de promoverem ataques à sua imagem nas redes sociais, caracterizando a situação como uma "punhalada nas costas". Flávio, por sua vez, divulgou nota afirmando que jamais teve a intenção de ofender a ex-primeira-dama.

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