INTEGRAÇÃO HISTÓRICA AGORA
Mercosul e União Europeia impulsionam economia com acordo comercial provisório
Tratado aguardado há quase 26 anos abre mercado de 700 milhões de consumidores com cortes de tarifas de até 35%.
O histórico acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entrou em vigor provisoriamente nesta sexta-feira, 01 de maio de 2026, após quase 26 anos de negociações. A decisão, celebrada em videoconferência pelos líderes dos blocos, abre um mercado de cerca de 700 milhões de consumidores, prometendo reconfigurar o comércio global e impactar diretamente a vida de milhões de pessoas com a redução significativa de tarifas. A medida, embora ainda dependa de aprovação definitiva do Parlamento Europeu, já começa a moldar novas relações econômicas, oferecendo mais variedade e preços competitivos para ambos os lados.
Este pacto, que cria um mercado colossal, era aguardado ansiosamente. Na Itália, por exemplo, a expectativa é que os produtos agrícolas do país cheguem ao Mercosul com custos mais acessíveis devido à redução de tarifas. Em contrapartida, os bens sul-americanos ganham espaço e visibilidade no mercado europeu, atendendo à demanda por maior diversidade e melhores preços para o consumidor final.
Os termos do acordo preveem que o Mercosul reduza tarifas sobre aproximadamente 10 mil produtos europeus, que representam 91% das exportações do bloco, em um período de até 15 anos. Do outro lado, a União Europeia eliminará tarifas para cerca de 95% dos produtos exportados pelo Mercosul em até 12 anos. Os cortes nas taxas podem atingir até 35% em alimentos e máquinas, 20% em veículos e 18% em produtos industriais, gerando um alívio financeiro para empresas e consumidores.
A Confederação Nacional da Indústria da Itália, uma das principais entidades industriais do país, atuou ativamente em favor do acordo. Seu presidente, Emanuele Orsini, comemorou o avanço: “Para mim, hoje é um dia muito bom. A concretização deste acordo é fundamental para nós.”
Não apenas para a Europa, o pacto também é crucial para as nações sul-americanas. Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria do Brasil, destacou o potencial de produtos como o algodão brasileiro para agregar valor à renomada moda italiana. “Nós podemos fazer agregação de valor ao algodão, até mesmo tecido ou fio, para que a Itália possa fazer a agregação do valor, numa das coisas que ela tem de mais nobre que é a moda”, afirmou Alban, ressaltando a sinergia entre as economias.
Além do impacto comercial, o acordo possui um peso estratégico considerável. Em um momento em que a Europa busca diversificar suas fontes de energia, o Brasil se posiciona como um parceiro essencial, com uma oferta robusta de biocombustíveis e energia renovável, contribuindo para a segurança energética e a sustentabilidade global.
Pierluigi Belvisi, professor de Economia da Universidade de Roma, enfatizou a importância histórica de tal abertura. “A história mostra que, quanto mais os países se abrem ao comércio internacional, mais bem-estar se cria para todos, para as sociedades envolvidas”, disse Belvisi. Ele acrescentou: “Dez anos atrás, o mundo era muito mais estável do que hoje. Mas a economia é algo vivo, se move, está em constante transformação. E, de alguma forma, consegue absorver os choques.”
O caráter provisório da entrada em vigor do acordo é uma etapa decisiva para convencer países que ainda mantêm ressalvas, como a França. Mesmo diante de um cenário global instável, a aposta na integração econômica e na transformação de desafios em oportunidades prevalece. Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores do Brasil, que representou o governo brasileiro na videoconferência desta sexta-feira, 01 de maio de 2026, explicou a importância desta fase. “Os produtos beneficiados por essa decisão do acordo já entram no comércio entre os países nessa circunstância. É um acordo muito importante. Ele entra em vigor provisório, como é a praxe em acordos já concluídos pela União Europeia. Essa é a parte comercial; depois, há uma parte mais ampla que, com o tempo, será examinada também", detalhou o ministro.
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