TENSÃO NO ESTREITO

Mercados reagem à tensão no Estreito de Ormuz; petróleo dispara

Bombas de extração de petróleo em um campo petrolífero no Oriente Médio
Bombas de extração de petróleo no Irã, Oriente Médio — Foto: Reuters

Barril de Brent atinge US$ 111,88; WTI sobe a US$ 105,36. Notícia eleva temores sobre rota vital do petróleo.

Nesta segunda-feira, 04 de maio de 2026, os mercados globais reagiram com forte alta nos preços do petróleo após a agência iraniana Fars relatar um incidente grave envolvendo um navio de guerra dos Estados Unidos no estratégico Estreito de Ormuz. A notícia despertou temores sobre uma possível interrupção prolongada no fluxo de uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo, impactando diretamente a economia global e o custo de vida de milhões de pessoas.

Por volta das 8h25 (horário de Brasília) nesta segunda-feira, o barril de petróleo Brent registrava uma alta de US$ 3,74, ou 3,46%, sendo negociado a US$ 111,88. A commodity havia recuado US$ 2,23 na última sexta-feira. Similarmente, o petróleo dos Estados Unidos (WTI) valorizava US$ 3,43, um aumento de 3,36%, alcançando US$ 105,36 por barril, após uma queda de US$ 3,13 na sessão anterior.

A agência iraniana Fars detalhou que um navio de guerra dos Estados Unidos, ao tentar cruzar o Estreito de Ormuz, teria sido forçado a recuar após ignorar um alerta do Irã. Fontes locais, citadas pela Fars, reportaram que dois mísseis atingiram a embarcação na proximidade da região de Jask.

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A Marinha iraniana, por sua vez, anunciou ter barrado a entrada de embarcações militares dos EUA na mesma área. Contudo, é crucial ressaltar que nenhuma dessas informações pôde ser verificada de forma independente. Embora não tenha havido uma manifestação imediata dos Estados Unidos, o site Axios reportou que uma autoridade americana negou veementemente qualquer impacto em seus navios.

Mesmo antes dos mais recentes relatos, os preços do petróleo já exibiam uma tendência de alta, impulsionados por interrupções anteriores no fluxo da commodity que atravessa o Estreito. Giovanni Staunovo, analista do UBS, reforça a avaliação do mercado: “A tendência dos preços segue de alta enquanto a passagem pelo Estreito continuar limitada”, observou.

O então presidente dos EUA, Donald Trump, declarou na ocasião que o país se mobilizaria para auxiliar embarcações retidas na conturbada região. Apesar dessas declarações, os preços mantiveram-se acima da marca de US$ 100 por barril, refletindo a ausência de um acordo de paz duradouro e as contínuas restrições ao tráfego marítimo.

Em uma clara demonstração de escalada, militares iranianos emitiram um aviso nesta segunda-feira, 04 de maio de 2026, afirmando que reagirão com firmeza a qualquer presença que considerem ameaçadora nas águas do Estreito.

No último domingo, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) havia anunciado um plano para elevar a produção em 188 mil barris por dia, a ser implementado em junho por sete países, marcando o terceiro mês consecutivo de aumento. Este ajuste repete o volume já estabelecido para maio, mas sem a contribuição dos Emirados Árabes Unidos, que se retiraram da Opep em 1º de maio. Contudo, analistas de mercado preveem que grande parte desse incremento na produção pode não se concretizar, uma vez que a persistência do conflito envolvendo o Irã continua a impactar diretamente o fornecimento global de petróleo.

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