RISCO GLOBAL
Mercados globais reagem com dólar a R$ 5,06 e bolsas em queda
A moeda americana fechou em R$ 5,06, alta de 1,63%, enquanto o Ibovespa caiu 0,61% e o petróleo tipo Brent superou US$ 109 o barril.
Os mercados financeiros globais enfrentaram um dia de forte volatilidade nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, com o dólar rompendo a barreira dos R$ 5,00 e as principais bolsas em queda acentuada. A aversão ao risco que dominou os pregões foi impulsionada pela persistência das preocupações com a inflação e pelas crescentes tensões geopolíticas no Oriente Médio, ameaçando o poder de compra e a estabilidade econômica de milhões de pessoas ao redor do mundo.
Nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, o dólar registrou uma expressiva alta de 1,63% frente ao real, encerrando o dia cotado a R$ 5,06. Paralelamente, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), encerrou o pregão com uma queda de 0,61%, fixando-se em 177,2 mil pontos, patamar similar ao registrado em meados de janeiro. Esse cenário de desvalorização dos ativos reflete a insegurança que abala a confiança dos investidores.
Um dos principais vetores para este desempenho negativo foi a falta de avanço em um acordo entre os Estados Unidos e o Irã, crucial para a reabertura do Estreito de Ormuz. Essa importante rota, responsável pela circulação de um quinto do petróleo mundial, permanece fechada desde o início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro. A continuidade do bloqueio amplifica as incertezas sobre o abastecimento global de energia.
Nesse contexto, os preços do petróleo voltaram a subir no mercado internacional. O barril do tipo Brent, referência internacional, valorizou 3,35%, alcançando US$ 109,26. Já o tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, avançou 4,03%, cotado a US$ 105,25 por barril.
Juros
A escalada nos preços da commodity intensificou as preocupações dos agentes econômicos com o avanço da inflação, especialmente nos Estados Unidos, onde a atividade econômica e o mercado de trabalho continuam aquecidos. Como resultado, o mercado financeiro reduziu drasticamente as expectativas de cortes nas taxas de juros por parte do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, que atualmente se situam no intervalo entre 3,50% e 3,75%.
No início do ano, a maioria dos analistas projetava reduções na taxa, com apostas de cortes a partir de julho. Essa perspectiva mudou radicalmente. De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, não apenas as previsões de baixa foram afastadas, como as chances de aumento dos juros ganharam força.
Para a reunião do Fed de dezembro, as chances estimadas de qualquer tipo de aumento da taxa atingem 50%. Especificamente, para uma elevação de 0,25 ponto percentual, as probabilidades são de 39%; para 0,5 ponto percentual, de 10%; e para 1 ponto, de 1%.
Bolsas globais
Este cenário provocou uma elevação das curvas de juros e uma queda generalizada nas bolsas. Na Europa, o índice Stoxx 600, que reúne empresas de 17 países do continente, recuou 1,5%. Em Londres, o FTSE 100 baixou 1,71% e, em Frankfurt, o DAX perdeu 2,07%. O CAC 40, de Paris, registrou desvalorização de 1,60%.
A mesma tendência dominou as principais bolsas de Nova York. Os índices caíram em bloco: o S&P 500 registrou um tombo de 1,05%; o Dow Jones, de 0,97%; e o Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia, desvalorizou 1,29%.
Análise
Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, o pregão desta sexta-feira consolidou um cenário de forte aversão ao risco (“risk-off”, no jargão do mercado), marcado por uma reprecificação agressiva de ativos globais frente à resiliência da inflação e tensões geopolíticas persistentes.
“Esse movimento está ligado à geopolítica, com novas acusações entre Teerã e Washington sobre a falta de consenso entre os lados envolvidos na guerra”, explica Zogbi. “O conflito, que mantém o petróleo Brent acima de US$ 108, retroalimenta o choque de oferta e a pressão inflacionária. O mercado agora trabalha com a tese de juros elevados por muito mais tempo.”
“Mudança drástica”
Zogbi observa que o principal vetor de pressão continua sendo o mercado de títulos soberanos: “Os Treasuries americanos (títulos da dívida dos EUA) de 10 anos renovaram máximas que não eram vistas desde o primeiro semestre do ano passado, com apostas de mercado projetando alta de juros pelo Fed ainda em 2026”, afirma. “Essa foi uma mudança drástica em relação ao afrouxamento que era previsto no início do ano.”
Nesse ambiente de incertezas, acrescenta a analista, o índice DXY (que mede a força do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes) testou o patamar dos 100 pontos, enquanto o VIX (conhecido como “índice do medo” de Wall Street) apresentou nova rodada de estresse.
“A aversão a risco pressiona emergentes, o que ajuda a justificar a forte alta do dólar em relação ao real”, conclui Zogbi. “O avanço das taxas de juros longas também pressionou o Ibovespa, e a falta de clareza sobre o quadro eleitoral e o fiscal doméstico afastam chances de recuperação do índice, mantendo os investidores na defensiva no encerramento da semana.”
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