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Mercado financeiro estabiliza projeção de inflação após 15 altas seguidas, aponta Relatório Focus

Prédio do Banco Central do Brasil.
Fachada do prédio do Banco Central (BACEN) em Brasília.

Analistas mantêm estimativa de inflação em 5,33% para 2026, acima do teto da meta. Projeção do PIB para o mesmo ano sobe para 1,99%. Selic e dólar também sofrem revisões.

Analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central (BC) mantiveram a estimativa de inflação para 2026 em 5,33%. Essa projeção, divulgada nesta segunda-feira, 29/06/2026, sinaliza que a inflação deve permanecer acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A decisão de manter a previsão inalterada ocorre após um período de 15 semanas de altas consecutivas nas expectativas, influenciado pelos reflexos da instabilidade no preço do petróleo, decorrente da guerra no Oriente Médio. A estabilização na projeção da inflação, apesar de não ser uma queda, representa um ponto de atenção para a política econômica e impacta diretamente o poder de compra da população e a previsibilidade dos investimentos.

Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), a projeção para 2026 foi elevada para 1,99%. O Relatório Focus, que compila essas expectativas, também trouxe atualizações sobre outros indicadores econômicos importantes.

A meta de inflação definida pelo CMN para este ano é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa que a meta é considerada cumprida se a inflação ficar entre 1,5% e 4,5%. No entanto, os dados atuais indicam um cenário desafiador para o alcance desse objetivo.

Inflação em 12 meses acima do teto

Os preços de bens e serviços no país avançaram 0,58% em maio deste ano, elevando o índice acumulado nos últimos 12 meses para 4,72%. Esse patamar já ultrapassa o teto da meta de inflação, que é de 4,5% neste ano. Para 2025, a inflação acumulada foi de 4,26%, também acima do centro da meta, mas dentro da margem de tolerância. A expectativa para 2027 foi ligeiramente elevada, passando de 4,15% para 4,17%.

PIB com projeção de crescimento

O PIB do Brasil para 2026 foi projetado em 1,99% no Relatório Focus, uma ligeira alta em relação à previsão de 1,98% da semana anterior. Para 2027, a expectativa de crescimento econômico foi reduzida de 1,70% para 1,68%, enquanto a estimativa para 2028 se manteve em 2%. Para contextualizar, o PIB brasileiro registrou um crescimento de 2,3% em 2025, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Outras projeções para o PIB em 2026 incluem 1,6% esperado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 2% considerado pelo BC, e 2,3% pela projeção do Governo Federal. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta o retorno do Brasil à posição de 10ª maior economia global neste ano, com um aumento na previsão de crescimento do PIB para 1,9%.

Taxa Selic e Dólar

A projeção da taxa Selic para o final deste ano foi mantida em 14% ao ano. Para 2027, a expectativa permanece em 12%. No entanto, para 2028, o mercado elevou a estimativa de 10,25% para 10,50% ao ano. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 16 e 17 de junho, a Selic foi reduzida de 14,5% para 14,25%. A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para o controle inflacionário e serve de referência para outras taxas da economia.

Quanto à cotação do dólar, os analistas consultados pelo BC mantiveram a projeção para 2026 em R$ 5,20. Para 2027, a estimativa subiu de R$ 5,27 para R$ 5,28. Em 2028, a projeção também foi ajustada para cima, de R$ 5,30 para R$ 5,35.

O Relatório Focus resume as expectativas de mercado coletadas até a sexta-feira anterior à sua divulgação, que ocorre normalmente às segundas-feiras.

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