INVESTIGAÇÃO AVANÇA
Mendonça mantém rigor e vê delação de Vorcaro sem fatos novos
Relator do caso Master no STF avalia que Polícia Federal já tem provas robustas para avançar, sem depender de colaboração sem novas revelações.
O ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), mantém baixas expectativas sobre a delação premiada de Daniel Vorcaro, destacando que a Polícia Federal já possui caminhos robustos para avançar nas investigações. Essa avaliação, feita nesta quarta-feira, 06/05/2026, por interlocutores próximos ao ministro, sinaliza um rigor crescente nos acordos de colaboração e pode ter impactos significativos na condução de investigações de alto perfil, além de reverberar no cenário político antes da campanha eleitoral.
Relatos feitos à CNN indicam que o ministro Mendonça está convencido da amplitude das investigações que a Polícia Federal pode conduzir. Ele entende que os celulares e documentos já apreendidos com Vorcaro e pessoas a ele ligadas, como seu cunhado Fabiano Zettel, fornecem um material probatório considerável, diminuindo a dependência de um acordo de colaboração para desvendar o esquema.
Fontes afirmam que Mendonça percebe poucas indicações de que o ex-dono do Master apresente fatos novos e suficientemente detalhados, elementos cruciais para a homologação de uma colaboração premiada. A dignidade da justiça exige que tais acordos não sejam meras formalidades, mas sim instrumentos eficazes para a revelação integral da verdade.
Para o ministro, os materiais já colhidos oferecem aos investigadores uma trilha promissora para "seguir o dinheiro" e comprovar os indícios existentes. Uma delação, nesse cenário, só se justificaria se Vorcaro trouxesse à tona estruturas financeiras ou personagens ainda desconhecidos das autoridades, contribuindo de forma inédita para o esclarecimento completo dos fatos.
Pessoas próximas a Mendonça acreditam que a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) devem encaminhar a proposta de colaboração premiada em questão de semanas, e não de dias, mas com a previsão de que ocorra antes do início formal da campanha eleitoral. Tal cronograma evidencia o potencial impacto político que o caso Master ainda carrega.
Com vasta experiência em acordos de leniência empresariais, adquirida quando conduziu negociações com empresas da Operação Lava Jato no âmbito da Controladoria-Geral da União (CGU), André Mendonça enfatiza que não abre mão de três pré-requisitos fundamentais em uma colaboração premiada: boa-fé do colaborador, não seletividade na entrega de pessoas ou fatos e o fornecimento de provas irrefutáveis. Esses critérios visam garantir que a busca por justiça seja plena e imparcial.
A convicção entre os interlocutores do ministro é que ele não fará qualquer movimento para proteger seus colegas do STF, caso a delação de Daniel Vorcaro avance e revele informações que os envolvam. A imparcialidade, neste contexto, é vital para a credibilidade do sistema judiciário.
O caso Master já tocou em nomes de destaque, como a esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci, que teve um contrato de R$ 129 milhões com o Master. Similarmente, o ministro Dias Toffoli e sua família venderam cotas do resort Tayayá para fundos com ligações ao banco de Daniel Vorcaro, indicando a ampla rede de conexões que as investigações buscam desvendar.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário