FED SE PREPARA

Membro do Fed indica que política monetária está pronta para agir diante de choques

Thomas Barkin, presidente do Federal Reserve de Richmond, em destaque.
Thomas Barkin, presidente do Federal Reserve de Richmond, falando em evento.

Thomas Barkin, presidente do Federal Reserve de Richmond, afirmou que a decisão de manter as taxas de juros estáveis foi acertada, mas a atuação futura dependerá da resposta da economia aos choques.

A forma como empresas e consumidores reagirão aos atuais choques econômicos definirá se o Fed (Federal Reserve) poderá “olhar além” da alta inflação ou se precisará considerar um novo aumento nas taxas de juros. A declaração foi feita por Thomas Barkin, presidente do banco central norte-americano de Richmond, nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026.

Barkin explicou que a decisão de manter as taxas de juros estáveis na última reunião do Fed “fez sentido”. Formuladores de políticas monetárias puderam coletar mais informações sobre emprego e inflação, em meio a uma conjuntura econômica complexa, marcada por altos preços do petróleo e o avanço da inteligência artificial (IA).

“Fazia sentido dar tempo a nós mesmos”, ressaltou Barkin, em comentários preparados para um grupo econômico. Ele acrescentou que espera que, nos próximos meses, o Fed observe acontecimentos que possam pressionar tanto o lado do emprego quanto o da inflação, ou ambos. Caso isso ocorra, a autarquia estará bem posicionada para reagir adequadamente.

Um número significativo de formuladores de políticas do Fed, durante a reunião de abril, indicou que um aumento da taxa de juros poderia ser necessário para conter a inflação. Essa pressão inflacionária tem sido alimentada pelos altos custos de energia, um forte ciclo de investimentos em IA e a resiliência inesperada do consumo das famílias.

Embora Barkin não tenha se manifestado diretamente sobre suas expectativas para as taxas de juros ou a necessidade de um aumento, ele destacou que a trajetória da política monetária dependerá de fatores cruciais. Entre eles, a manutenção da resiliência nos gastos dos consumidores, a possibilidade de empresas utilizarem ganhos de produtividade para justificar demissões e a capacidade de manter as expectativas de inflação ancoradas, após mais de cinco anos sem atingir a meta do Fed.

“Olhar além dos choques de oferta funcionou bem por uma geração”, ponderou Barkin. “Olhando para o futuro, é fácil imaginar condições mais desafiadoras: tensões geopolíticas intensificadas, fragmentação do comércio, eventos climáticos severos mais frequentes, aumento da dívida pública, risco cibernético, desaceleração do crescimento da força de trabalho e muito mais. Vale a pena perguntar se o impacto cumulativo de tantas ondas corre o risco de afrouxar a âncora.”

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