SAÚDE EM RISCO
Médicos do Walfredo Gurgel Dão Ultimato por Salários Atrasados
Profissionais denunciam atrasos desde setembro de 2025 e descumprimento de acordo judicial. Maior hospital de urgência do RN pode ter serviços não essenciais suspensos, afetando milhares de pacientes.
Neste sábado (28), em assembleia convocada pelo Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed/RN), os médicos clínicos que atuam no essencial Time de Resposta Rápida (TRR) do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, deram um ultimato: a regularização dos salários atrasados deve ocorrer até segunda-feira (30), sob pena de paralisação dos atendimentos que não sejam de urgência. A medida extrema surge após meses de atrasos considerados "intoleráveis" pelos profissionais, que veem um acordo judicial de 120 dias para pagamentos ser sistematicamente descumprido, colocando em xeque a dignidade dos trabalhadores e a própria capacidade de funcionamento da maior unidade hospitalar de urgência do estado, responsável por salvar vidas em toda a Região Metropolitana.
O último pagamento recebido pelos profissionais refere-se a setembro de 2025, o que significa que o mês de outubro do mesmo ano permanece em aberto. Esse cenário contrasta com a situação de outros setores ligados a unidades de saúde, que já tiveram seus pagamentos regularizados para o mesmo período.
Os médicos relatam que a falta de regularidade nos pagamentos gera profunda insegurança e dificuldades financeiras, afetando diretamente aqueles que estão na linha de frente do atendimento a pacientes em estado grave. A repetição dos atrasos desgasta a confiança e compromete o bem-estar dos que dedicam suas vidas à saúde pública.
O Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel é a espinha dorsal do sistema de urgência e emergência do Rio Grande do Norte. Ele recebe pacientes não apenas de Natal, mas de cidades vizinhas como Parnamirim, Macaíba, São Gonçalo do Amarante e Extremoz. Qualquer interrupção em seus serviços pode ter consequências devastadoras para a população de toda a Região Metropolitana, colocando em risco a vida de milhares.
O Sinmed/RN revelou que houve reuniões anteriores com o Conselho Regional de Medicina (CRM), as secretarias estadual e municipal de Saúde, e as empresas terceirizadas responsáveis pela contratação dos médicos, com mediação do Judiciário. Nesses encontros, um acordo foi estabelecido, limitando o atraso máximo nos pagamentos a 120 dias. Contudo, o sindicato denuncia que esse compromisso não tem sido honrado, e os atrasos têm se agravado nos últimos meses, intensificando a crise.
A deliberação da assembleia é clara: caso os salários não sejam quitados até a próxima segunda-feira (30), os médicos suspenderão todas as atividades que não configuram urgência e emergência. O Sinmed/RN acompanha de perto o movimento, reforçando seu compromisso em cobrar soluções efetivas que garantam a regularidade dos pagamentos e a manutenção integral do atendimento à população potiguar.
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