SAÚDE EM RISCO

Médicos alertam: testosterona sem controle ameaça a saúde

Homem fazendo aplicação de testosterona sem supervisão médica e alertando sobre os perigos para a saúde
O uso sem acompanhamento médico pode levar a riscos cardiovasculares, infertilidade, apneia do sono e dependência — Foto: Instituto Homem/Divulgação

O uso crescente e indiscriminado de testosterona, impulsionado por tendências digitais, preocupa especialistas no Brasil. Sem acompanhamento médico, o hormônio pode causar infertilidade, problemas cardiovasculares, AVC e dependência, desregulando o organismo masculino e afetando a dignidade e o bem-estar dos indivíduos. Dr. Flávio Machado, do Instituto Homem, ressalta a importância de um diagnóstico rigoroso para evitar riscos irreversíveis.

A preocupação com o uso inadequado de testosterona, impulsionado por tendências digitais e a busca por soluções rápidas para questões de bem-estar, intensificou-se entre especialistas da saúde no Brasil. Médicos, como o Dr. Flávio Machado, diretor médico e fundador do Instituto Homem, alertam nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, sobre os graves riscos à saúde que o uso sem acompanhamento profissional pode acarretar. O hormônio masculino, popularizado erroneamente como um "suplemento", tem sido usado de forma indiscriminada, expondo indivíduos a consequências severas, desde infertilidade e problemas cardiovasculares até o risco de AVC e dependência.

Em clínicas de estética, academias e fóruns na internet, a testosterona ganhou fama de solução milagrosa. Cansaço? Testosterona. Queda no desempenho sexual? Testosterona. Dificuldade para ganhar músculo? Testosterona. Contudo, o hormônio masculino mais famoso do mundo não é um suplemento e, ao tratá-lo como tal, o indivíduo pode pagar um preço alto pela própria saúde.

Nos últimos anos, a reposição hormonal à base de testosterona cresceu de forma expressiva no Brasil. Este fenômeno, impulsionado por influenciadores digitais e clínicas que prometem "otimização hormonal", preocupa os médicos, que observam uma onda de automedicação disfarçada de tratamento clínico, colocando em risco a dignidade e a saúde dos homens.

Para o Dr. Flávio Machado, do Instituto Homem, o problema central reside na banalização do tratamento. Ele explica que a reposição de testosterona foi desenvolvida para casos específicos de hipogonadismo – condição onde o organismo não produz o hormônio em quantidade suficiente – e exige uma avaliação médica rigorosa antes de qualquer prescrição. "A testosterona não é um suplemento. É um hormônio com efeitos sistêmicos importantes. Quando usada sem necessidade real, pode desregular completamente o organismo do homem", frisa o especialista.

O médico destaca que muitos pacientes chegam aos consultórios já utilizando o hormônio por conta própria, influenciados por indicações de amigos ou conteúdos das redes sociais, sem sequer terem realizado exames que justificassem o uso. A reposição de testosterona, ele reforça, exige um tratamento individualizado e baseado em diagnósticos precisos.

Os perigos do uso sem indicação médica são vastos e podem afetar órgãos vitais. Entre os mais graves, estão a supressão da produção natural do hormônio, que pode levar à infertilidade, além do aumento do risco cardiovascular, alterações nos níveis de colesterol, apneia do sono, crescimento da próstata, instabilidade de humor e a temida dependência contínua. Um efeito menos conhecido, mas igualmente perigoso, é o espessamento do sangue causado pelo aumento do hematócrito, elevando consideravelmente o risco de trombose e AVC.

A dependência hormonal merece atenção especial. Quando o corpo recebe testosterona de fontes externas, ele interpreta que não precisa mais produzi-la e, com isso, reduz ou cessa sua fabricação natural. Reverter esse processo pode demandar um tratamento longo e, por vezes, ineficaz, comprometendo a qualidade de vida.

Sintomas como cansaço persistente, baixa libido, dificuldade de concentração e perda de massa muscular frequentemente levam homens à busca por reposição. O equívoco reside no fato de que esses sinais são inespecíficos e raramente têm a testosterona como única causa.

"O erro mais comum é tratar o sintoma sem investigar a raiz do problema. Nem todo cansaço significa falta de testosterona. Muitas vezes, a questão reside no estilo de vida, na qualidade do sono, na alimentação ou em outras condições clínicas ainda não diagnosticadas", esclarece o Dr. Flávio Machado.

Condições como estresse crônico, sedentarismo, má alimentação, apneia do sono não tratada, ansiedade e depressão podem manifestar um quadro clínico idêntico ao de uma queda hormonal. Sem uma investigação adequada, tratar esses sintomas com testosterona é, na melhor das hipóteses, ineficaz e, na pior, extremamente prejudicial à saúde.

Médicos e pesquisadores veem o ambiente digital como um dos principais disseminadores da desinformação hormonal. Perfis dedicados à saúde masculina e ao "biohacking" proliferam conteúdos que idealizam a reposição como um atalho para uma "versão superior" do corpo, omitindo os riscos. Clínicas que oferecem "protocolos de otimização hormonal" com poucos exames e consultas rápidas também prosperam neste mercado, atraindo homens em busca de resultados imediatos.

"A saúde hormonal é um tema delicado. Não existem atalhos seguros. Qualquer intervenção precisa ser individualizada e baseada em evidências científicas sólidas", reitera o especialista.

A reposição hormonal só deve ser considerada após um processo diagnóstico completo, que abrange um histórico clínico detalhado, exame físico e, no mínimo, dois exames laboratoriais realizados pela manhã, período de pico dos níveis de testosterona. Mesmo com a indicação, a terapia exige retornos periódicos para ajuste de doses e monitoramento contínuo das condições cardiovascular, prostática e hematológica.

O alerta é inequívoco: antes de iniciar qualquer reposição hormonal, o caminho correto é procurar um médico especialista. O que muitos percebem como uma solução simples para o bem-estar pode, na prática, converter-se em um problema de longo prazo, com repercussões severas na saúde e até na capacidade de ter filhos.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário