FAMÍLIAS MODERNAS
Maternidade compartilhada redefine o sentido da vida para casais lésbicos
Com técnicas como FIV e ROPA, mulheres dividem a gestação e criam lares repletos de amor. Conheça as histórias e o impacto desse processo.
Casais de mulheres têm transformado o sonho da maternidade em uma emocionante realidade, escolhendo a gestação compartilhada para que ambas as parceiras vivenciem ativamente a formação familiar. Com o uso de técnicas como a Fecundação In Vitro (FIV) e a Recepção de Óvulos da Parceira (ROPA), mulheres como Dniffer Fonseca Lobo e Ana Marcela Lobo, e Débora Osaki e Lilian Arantes, entre outras, construíram seus lares. Essa decisão não apenas humaniza o processo de ser mãe, mas também reforça a dignidade e o direito de todas as famílias de se formarem, provando que o amor transborda e redefine o sentido da vida com a chegada de um filho.
Dniffer Fonseca Lobo e Ana Marcela Lobo, conhecidas carinhosamente como as mamães “Di” e “Ma”, estão casadas há cinco anos e são pais de Marcelo, de quatro. O método escolhido pelas mães permitiu que Dniffer gestasse o filho de ambas, a partir do óvulo de Marcela. A decisão pela Fecundação In Vitro (FIV) garantiu que as duas participassem ativamente de toda a jornada da maternidade, da concepção ao nascimento.
Dniffer e Marcela Lobo com o filho Marcelo, de quatro anos, após a gestação compartilhada. — Foto: Redes Sociais / Reprodução
“Nunca passou na minha cabeça que eu não seria mãe por estar com uma mulher. Eu queria muito gestar, mas também queria incluir a Marcela para além da criação”, conta Dniffer, que carregou Marcelo na barriga durante os nove meses. Marcela, por sua vez, recorda que em suas consultas de rotina, o médico sempre deixou claro que a gravidez e a maternidade eram plenamente possíveis para ela e a esposa.
Juntas desde 2010, quando se conheceram no carnaval de Cerquilho, SP, elas se mudaram para Sorocaba, SP, cinco anos depois, para desenvolverem suas carreiras. Enquanto Dniffer se formava em enfermagem e Marcela em fonoaudiologia, o anseio pela maternidade foi cuidadosamente planejado. Nesse período, o casal buscou orientações médicas e explorou as possibilidades da gestação compartilhada, especificamente pela Recepção de Óvulos da Parceira (ROPA). Este método de reprodução assistida envolve a estimulação dos óvulos da mulher, a fertilização em laboratório e a transferência do embrião para o útero da parceira que irá gestar. O custo desse procedimento pode alcançar cerca de R$ 30 mil.
Casal de mulheres opta pela gestação compartilhada para realizar o sonho da maternidade. — Foto: Redes Sociais / Reprodução
A família Lobo, com mais de 10 mil seguidores em suas Redes Sociais, compartilha a rotina e as nuances da maternidade compartilhada. A página serve como um diário da infância de Marcelo e da realidade das “mamães de primeira viagem”, incentivando o diálogo e a troca de informações com outras pessoas que compartilham o mesmo sonho e as mesmas dúvidas. “Independente se é um casal homoafetivo ou não, muitas mulheres vêm nos perguntar sobre os métodos reprodutivos, porque todo mundo tem dúvida”, afirma Ana Marcela.
❤️ Maternidade e Amizade Compartilhada
Em Sorocaba, Débora Osaki e Lilian Arantes montaram um grupo de mães para compartilhar as histórias de famílias homoafetivas. A comunidade nasceu por acaso, em 2022, quando o casal, enquanto comprava o enxoval do filho Benício, encontrou outro casal de mulheres na mesma loja. "A partir dali, começamos a conversar e entender a importância do convívio entre as nossas famílias, para criar neles um senso de pertencimento. E para nós, troca de experiências, fortalecimento e apoio emocional", lembra Débora.
Débora Osaki e Lilian Arantes com o filho Benício, nascido via método ROPA e gestação compartilhada. — Foto: Débora Osaki / Arquivo pessoal
O casal, que planejou a chegada do primeiro filho ao longo de 23 anos de relacionamento, descobriu, logo no nascimento de Benício, que a maternidade é uma caixinha de surpresas: o bebê nasceu na mesma data que a mãe Lilian. O aniversário compartilhado é, para Lilian, um detalhe em meio ao imenso universo de emoções que ela vive desde o dia em que souberam que a fertilização havia funcionado.
"Eu me lembro da gente abrindo o resultado do exame e, naquele momento que a gente pega o resultado, vira uma chave dentro da gente, de entender que o sentido da sua vida não passa mais a ser você, é o seu filho. É um amor que não cabe dentro da gente, é difícil explicar", relata Lilian, emocionada.
Débora Osaki e Lilian Arantes, juntas há 23 anos, realizaram o sonho de ter o filho Benício. — Foto: Débora Osaki / Arquivo pessoal
As histórias de Dniffer e Marcela, Débora e Lilian ressaltam o poder transformador da maternidade compartilhada, que permite a realização do sonho de ser mãe para casais homoafetivos, construindo lares repletos de amor e significado. A cada nova família formada, a sociedade avança na compreensão e celebração de todas as formas de amor.
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