COMBUSTÍVEL EM ALTA
Magda Chambriard avalia reajuste da gasolina
Aumento busca compensar defasagem, mas estatal monitora market share contra etanol. Ministro da Fazenda Dario Durigan vê necessidade de reavaliação constante.
A Petrobras está avaliando um reajuste nos preços da gasolina vendida às distribuidoras, uma movimentação estratégica confirmada pela presidente da estatal, Magda Chambriard, nesta terça-feira, 12 de maio de 2026. A decisão de subir os valores busca equilibrar a necessidade de readequação com a preocupação de não comprometer a participação da empresa no mercado, especialmente diante da concorrência acirrada com o etanol. Essa análise minuciosa reflete o esforço da companhia em proteger sua fatia de mercado, diretamente impactando o bolso do consumidor brasileiro.
Em videoconferência com analistas de mercado, a executiva enfatizou que a empresa "está tratando desse aumento de gasolina, mas sempre de olho no nosso 'market share' e na evolução do mercado do etanol."
A principal preocupação da Petrobras é estratégica: evitar que um aumento expressivo da gasolina possa impulsionar a competitividade do etanol, levando os motoristas a optarem pelo biocombustível e, consequentemente, reduzindo as vendas de gasolina nos postos de combustíveis.
"Nós estamos tratando disso, vai acontecer já um aumento de preço da gasolina, mas nós temos que ter certeza que esse mercado almejado continua nosso", completou Magda Chambriard, reforçando a cautela da estatal.
A relevância dessa análise, conforme explicou a presidente da Petrobras, cresceu ainda mais nos últimos 15 dias devido à queda nos preços do etanol. Esse recuo é resultado do aumento da produção e do início da safra de cana-de-açúcar, que injeta mais biocombustível no mercado.
Com o etanol mais acessível, a escolha do motorista entre os dois combustíveis torna-se mais sensível à diferença de preços, um fator determinante para a demanda de ambos.
Nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, já havia sinalizado a necessidade de a Petrobras reavaliar os preços dos combustíveis no Brasil. Essa urgência, segundo Durigan, é impulsionada pela disparada do petróleo no mercado internacional, um reflexo direto da instabilidade causada pela guerra no Oriente Médio.
Ao ser questionado sobre a capacidade da estatal de manter a atual defasagem de 30% no diesel e impressionantes 65% na gasolina, em comparação com os preços internacionais — dados calculados pela Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom) —, Durigan foi categórico: "Esse é um tema da Petrobras".
"Eu não discuto isso com a Petrobras. O que eu tenho sentido é que há uma necessidade da Petrobras ir reavaliando esses preços", afirmou o ministro. Ele complementou, contextualizando o papel do Estado: "E o que Estado tem que fazer é, na medida em que a gente vê a guerra aumentando o custo no país, aumentando os preços, tem que se preparar, porque o Brasil não quer ser sócio da guerra." A fala de Durigan sublinha a pressão externa sobre os preços e a busca por estabilidade econômica interna.
*Com informações da agência de notícias Reuters
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