SAÚDE FEMININA
Macfor: Mulheres insatisfeitas com o atendimento de saúde no Brasil
Pesquisa revela que 43,2% das menções sobre saúde feminina são negativas. Impacto econômico pode atingir US$1 trilhão até 2040.
Um estudo recente da Macfor, agência de marketing digital full-service, revelou uma profunda insatisfação das mulheres com os serviços de saúde no Brasil. Divulgado nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, o levantamento, baseado em mais de 260 mil avaliações de pacientes e análises de dados robustas, aponta que o sistema de saúde falha em atender às expectativas femininas, gerando desconfiança e impactando diretamente a dignidade e o bem-estar de milhões de brasileiras.
Para chegar a estas conclusões, a Macfor utilizou uma metodologia abrangente. A agência analisou dados do seu Data Lake Dolores Macfor, empregou técnicas de social listening e consultou informações do Google Trends, além de pesquisas de mercado. O estudo incluiu a análise de mais de 260 mil avaliações reais de pacientes em plataformas digitais de agendamento médico em todo o Brasil, com 215 mil delas provenientes de mulheres.
Os resultados são claros e preocupantes: 43,2% das menções sobre saúde feminina refletem uma experiência negativa, 33% são neutras e somente 23,8% expressam satisfação. Esta disparidade sublinha a urgência de uma reavaliação profunda no setor.
As mulheres, de fato, são o pilar do sistema de saúde brasileiro. Nos últimos doze meses, 82,3% das brasileiras procuraram atendimento médico. Além disso, 77% delas recorreram a medicamentos sem prescrição, uma proporção três vezes maior que a registrada entre os homens. Esta proatividade no cuidado com a saúde, no entanto, não encontra eco na qualidade percebida dos serviços.
Esta realidade de insatisfação não afeta apenas a qualidade de vida; ela tem um custo global. O World Economic Forum, em colaboração com o McKinsey Health Institute, estima que a situação de saúde mais precária que atinge 25% das mulheres, comparada aos homens, pode gerar um impacto econômico negativo de US$1 trilhão por ano na economia mundial até 2040. Melhorar o atendimento feminino é, portanto, uma questão de saúde pública e de desenvolvimento econômico.
A insatisfação feminina com os serviços de saúde no Brasil tem consequências diretas na confiança. A pesquisa da Macfor indica que a autoridade médica diminui significativamente para este grupo: 59% das mulheres agora confiam mais nas orientações de farmacêuticos e 54% buscam informações online antes de definir um tratamento. Elas demonstram uma crescente busca por autonomia e clareza, que o sistema atual muitas vezes não oferece.
Até mesmo as estratégias de marketing tradicionalmente focadas no universo feminino, como a "onda rosa", perderam credibilidade. Muitas mulheres percebem que são tratadas de forma passiva ou estereotipada, o que desconsidera sua realidade como consumidoras informadas, racionais e exigentes. Elas esperam e merecem um diálogo mais respeitoso e personalizado.
"Há uma clara defasagem entre o que os dados revelam sobre a tomada de decisão feminina na saúde e a forma como o mercado ainda se comunica com elas", explica Fabricio Macias, VP de marketing e co-fundador da Macfor.
Para Macias, este cenário força o setor de saúde a uma evolução urgente, que vai além do produto. "É preciso aprimorar a experiência, a comunicação e, principalmente, a capacidade de escuta. Nossos dados proprietários mostram que muitas marcas ainda se dirigem a um perfil de mulher que já não corresponde à realidade atual", conclui o executivo.
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