RISCO BILIONÁRIO RETORNA

Lula retoma financiamento do BNDES sob sombra de dívidas bilionárias

Lula retoma financiamento do BNDES sob sombra de dívidas bilionárias

Enquanto governo Lula retoma linha de crédito, Cuba e Venezuela somam US$ 1,8 bilhão em dívidas não pagas ao Brasil.

O presidente Lula (PT) sancionou, permitindo a retomada de financiamentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para obras de engenharia no exterior, uma medida que divide opiniões. A decisão, que busca impulsionar construtoras brasileiras em projetos internacionais, é anunciada enquanto o Brasil ainda tenta reaver bilhões de reais em dívidas de calotes passados de Cuba e Venezuela, que somam US$ 1,8 bilhão. A preocupação reside no impacto direto sobre os cofres públicos e, consequentemente, sobre o contribuinte brasileiro, que historicamente arca com o rombo de operações não honradas, conforme detalhado nesta sexta-feira, 01/05/2026.

Este modelo de financiamento prevê que o BNDES empreste recursos para que empresas privadas brasileiras executem serviços no exterior. Se o país contratante falha em honrar o pagamento, o banco aciona um seguro. O prejuízo, então, é coberto pelo Fundo de Garantia à Exportação, um mecanismo da União criado especificamente para esse risco. Na prática, é o dinheiro do contribuinte brasileiro que cobre a perda, transformando uma falha de pagamento internacional em um fardo nacional.

No caso da Venezuela, a dívida já coberta por este fundo ultrapassa US$ 1,2 bilhão. Os recursos financiaram projetos significativos como os metrôs de Caracas e Los Teques, além da Siderúrgica Nacional, obras que deveriam fortalecer a infraestrutura venezuelana mas deixaram um vácuo financeiro no Brasil.

Cuba, por sua vez, acumula um atraso de US$ 676 milhões com o Brasil. A principal obra de infraestrutura beneficiada foi o Porto de Mariel. Curiosamente, para essa operação, o BNDES exigiu como garantia as receitas da indústria cubana de charutos, uma iniciativa que o TCU (Tribunal de Contas da União) posteriormente classificou como frágil, evidenciando a fragilidade das garantias obtidas.

Governo negocia, mas sem previsão de pagamento

Em resposta à CNN Brasil, o Ministério da Fazenda informou que a regularização dos pagamentos não possui previsão. A pasta assegurou que o governo persiste na cobrança desses créditos por meio de negociações bilaterais e articulação em fóruns internacionais, com os valores em atraso sujeitos à incidência de juros, mas a expectativa de recebimento permanece incerta para o país.

Especialistas, contudo, veem poucas chances de que esses países cumpram com suas obrigações. Tony Volpon, colunista do CNN Money, questiona a prudência de "fazer obra em países que não têm capacidade de pagar esses créditos de volta", levantando o debate sobre a melhor aplicação da capacidade de financiamento do BNDES em um cenário global tão incerto.

Nova lei traz mudanças para evitar novos calotes

Para tentar mitigar os riscos de futuras inadimplências, a nova lei federal sancionada incorpora uma série de alterações. A norma aprimora a transparência, exigindo que o BNDES mantenha públicas todas as informações sobre os empréstimos. Mais importante, proíbe a realização de novas operações com países que já estejam inadimplentes, uma salvaguarda para o contribuinte.

No auge da expansão, as empreiteiras brasileiras detinham quase 2,5% do mercado global de serviços de engenharia, mas perderam terreno com a interrupção do financiamento do BNDES, especialmente após as revelações da Operação Lava Jato. Apesar das novas regras, a sombra das dívidas de Cuba e Venezuela, que ainda somam bilhões de reais em calotes, continua a pesar sobre as finanças do Brasil e a confiança do público.

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