DIPLOMACIA EM TENSÃO

Lula repreende Mauro Vieira por citação sobre intervenção dos EUA no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler Mauro Vieira em reunião oficial.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira.

Documento assinado pelo Itamaraty sugeriu risco de ação militar norte-americana, gerando crise com o Planalto e resposta enérgica de Donald Trump.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou profundo descontentamento com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, após a circulação de um documento oficial do Itamaraty enviado à Câmara. O texto, subscrito pelo chanceler, aventava a possibilidade de uma intervenção militar dos Estados Unidos em território brasileiro, posicionamento que abalou a confiança entre o Planalto e o Ministério das Relações Exteriores nesta sexta-feira, 10/07/2026.

A crise foi deflagrada após o deputado Evair de Melo (Republicanos-ES) solicitar explicações sobre os impactos da classificação, pelo governo de Donald Trump, das facções criminosas PCC e CV como grupos terroristas. Em resposta oficial, a pasta de Mauro Vieira sustentou a tese de risco militar, porém sem oferecer fundamentação sólida. A declaração foi classificada pelo governo norte-americano, na quarta-feira, 08/07/2026, como uma avaliação "absurda".

Para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a postura do Itamaraty transbordou as competências diplomáticas e gerou desgaste desnecessário junto às Forças Armadas. Internamente, diplomatas que defendem o teor do documento alegam tratar-se de uma análise preventiva de risco, citando operações dos EUA na Venezuela e no Caribe como precedentes de preocupação. Contudo, a tese carece de amparo oficial norte-americano.

Em 1º de junho de 2026, a porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, já havia esclarecido que as designações de terrorismo visam exclusivamente restrições financeiras e de vistos, não contemplando ações militares. Diante da repercussão, as comissões de Relações Exteriores da Câmara e do Senado convocaram o ministro para prestar esclarecimentos formais sobre os critérios adotados para a elaboração do documento.

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