TENSÃO NO ORIENTE
Irã nega negociações com Estados Unidos enquanto mantém pressão no Estreito de Ormuz
Porta-voz oficial descarta diálogo com Washington, enquanto a Guarda Revolucionária intensifica bloqueios navais e a retórica diplomática permanece incerta.
O governo de Teerã descartou a existência de qualquer processo de negociação com os Estados Unidos, mantendo uma postura rígida em meio às tensões regionais. A negativa, confirmada pelo porta-voz Esmaeil Baqaei durante sua coletiva de imprensa semanal, busca dissipar especulações de que o país estaria buscando conversas diplomáticas para encerrar o ciclo de hostilidades.
A interrupção dos ataques ocorreu após uma trégua tácita observada por três noites consecutivas, período em que o Irã suspendeu suas operações contra países vizinhos aliados de Washington. Mohammad Akraminia, porta-voz militar, esclareceu que a estratégia iraniana é baseada em respostas diretas: se não há ofensivas aéreas americanas, as retaliações são pausadas. Contudo, o governo iraniano alertou que qualquer nova escalada militar resultará em uma resposta imediata e ampliada.
Embora a violência aérea tenha diminuído, a instabilidade se deslocou para as águas. Nas últimas 24 horas, a Marinha da Guarda Revolucionária interceptou seis navios que tentavam cruzar o Estreito de Ormuz por rotas não designadas, utilizando disparos de advertência para forçar o retorno das embarcações. Este cenário agrava a crise na rota marítima, por onde transitam 20% das exportações globais de petróleo, com o tráfego comprometido desde 7 de julho.
No campo diplomático, as posições seguem divergentes. No domingo (26), o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, afirmou que o presidente Donald Trump concedeu espaço para uma eventual solução diplomática, embora tenha negado que o país enfrente escassez de munições ou recursos militares. Em contrapartida, Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense, prepara uma visita à Casa Branca prevista para terça-feira, onde pretende reforçar a pressão por uma postura contundente contra o programa nuclear iraniano, conforme declarado à emissora Fox News.
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