SOLIDARIEDADE EM CÚPULA
Lula presta homenagem às vítimas de terremoto na Venezuela durante cúpula do Mercosul
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu um minuto de silêncio para as vítimas do terremoto na Venezuela, que já causou 1.719 mortos e 5.034 feridos. O bloco se reúne em Assunção, Paraguai.
Em Assunção, no Paraguai, nesta terça-feira, 30/06/2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou sua participação na cúpula do Mercosul prestando um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do recente terremoto na Venezuela. A tragédia já registrou 1.719 mortos e 5.034 feridos, com projeções indicando que os tremores da última quarta-feira (24) podem ter ceifado dezenas de milhares de vidas.
"Eu quero começar a minha fala dedicando a minha solidariedade ao povo e ao governo da Venezuela diante das perdas humanas e materiais incalculáveis causadas pelos terremotos da semana passada", declarou o presidente. Ele ressaltou que eventos como este "convidam a refletir sobre a importância da solidariedade e da integração regional."
Lula reafirmou ter dialogado com a líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Em paralelo, o ministro da Defesa brasileiro, José Múcio, cumpre agenda oficial no país, com encontros previstos, incluindo uma reunião com a representante que ocupa o posto de Nicolás Maduro desde sua captura pelos Estados Unidos em janeiro.
O Brasil demonstrou prontidão em oferecer auxílio desde as primeiras horas da catástrofe. Apenas dois dias após o evento, uma equipe humanitária foi enviada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional para auxiliar nas operações de busca. Desde o sábado (27), um hospital de campanha da Marinha do Brasil atua na região de La Guaira, a mais atingida, com capacidade para realizar 150 atendimentos diários.
Essa demonstração de apoio segue o padrão de ações humanitárias recentes. Há um mês, Brasília auxiliou a Bolívia, que enfrentava intensos protestos em sua capital, La Paz. Atendendo ao pedido do presidente Rodrigo Paz, o país vizinho recebeu toneladas de alimentos.
"Bolívia não se sentiu sozinha, sua democracia não se sentiu sozinha. Estamos dando passos fortes para construir um novo momento no continente", afirmou Lula em seu discurso, aludindo ao apoio mútuo entre os países sul-americanos e reafirmando o compromisso com a união regional em um cenário de mudanças políticas, referindo-se à chamada "onda azul" com a ascensão de líderes de direita em algumas nações.
Nesse contexto, o presidente brasileiro destacou que o Mercosul "permanece como o principal espaço institucional em uma região cada vez mais polarizada". Ele mencionou o enfraquecimento de outros fóruns diplomáticos como a Unasul e a Celac nos últimos anos.
"O projeto de integração sul-americano deve estar acima de qualquer divergência ideológica. A melhor opção é fortalecer nossos mecanismos de diálogo e cooperação e ampliar nossa capacidade de atuação conjunta", defendeu Lula. Ele também comentou que as eleições na Colômbia e no Peru, que conduziram Abelardo de la Espriella e Keiko Fujimori ao poder, respectivamente, "demonstraram a resiliência institucional em nossa região."
O presidente concluiu enfatizando a necessidade de um bloco forte e estável, independentemente das mudanças de governo. "O Mercosul não pode funcionar de acordo com a eleição deste ou daquele presidente, senão a gente nunca vai ter um bloco realmente forte funcionando", ponderou.
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