JUSTIÇA E SOBERANIA
Lula no G7: Combate ao crime deve respeitar soberania dos países
Presidente defende respeito à soberania nacional no combate ao crime organizado durante reunião do G7 na França. Discurso ocorre após EUA classificarem facções brasileiras como terroristas.
Na manhã desta terça-feira, 16/06/2026, o presidente Lula discursou na reunião do G7 em Évian-les-Bains, na França, defendendo que o combate ao crime organizado deve respeitar a soberania de cada nação. A declaração ocorreu durante o encontro, que contou com a presença do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e foi divulgada pelo Palácio do Planalto.
A fala de Lula surge dias após a entrada em vigor da decisão do Departamento de Estado dos EUA, sob a liderança de Marco Rubio, de classificar as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Essa medida, que impacta diretamente a percepção internacional sobre a segurança no Brasil, levanta debates sobre abordagens de combate ao crime e a cooperação entre países.
"O desafio do crime organizado, que aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas. Esse esforço [contra o crime transnacional] deve levar em conta do respeito à soberania dos Estados", declarou Lula, enfatizando a importância de um equilíbrio entre a ação internacional e a autonomia nacional.

O presidente brasileiro também ressaltou que a Declaração de Líderes do G7 sobre o Combate ao Tráfico de Drogas representa um avanço. Contudo, destacou que o enfrentamento ao narcotráfico não pode ser dissociado de outros ilícitos graves, como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas, que alimentam a estrutura do crime organizado globalmente.
O G7 é um fórum composto pelas principais economias mundiais, reunindo-se para debater temas de relevância global, incluindo comércio, conflitos, clima e segurança. Embora não produza decisões com força obrigatória, o grupo exerce considerável influência em discussões internacionais.
Em seu discurso, Lula também teceu críticas ao neoliberalismo, afirmando que essa política econômica "agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias". Ele alertou que o protecionismo e o unilateralismo estão ressurgindo como "respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas".
Adicionalmente, o presidente brasileiro defendeu que os países detentores de minerais críticos, como o Brasil, devem ter participação direta na exploração desses recursos. Isso inclui a transferência de tecnologia e a capacitação de pessoal, sempre considerando as necessidades específicas de cada nação.
Lula posa para foto com líderes do G7 na França — Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário