CRÉDITO FACILITADO
Lula lança programa de R$ 30 bi para motoristas e taxistas
Linha Move Aplicativos oferece juros baixos, até 72 meses para pagar e 6 de carência para carros até R$ 150 mil.
O Governo federal, por meio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), lançou nesta terça-feira, 19 de maio de 2026, o programa Move Aplicativos, uma robusta linha de crédito destinada a motoristas de aplicativos e taxistas. A iniciativa, que mobiliza até R$ 30 bilhões do Tesouro Nacional, busca atender à crescente demanda por veículos novos ou usados entre esses profissionais e reativar a indústria automotiva nacional. Com condições facilitadas, o programa promete impactar diretamente a dignidade e a capacidade de trabalho de milhares de pessoas em todo o Brasil.
A cerimônia de lançamento ocorreu às 15h30, na Casa de Portugal, no bairro da Liberdade, em São Paulo, marcando um passo significativo do Governo para oferecer suporte a uma categoria que busca melhores condições de trabalho e oportunidades de modernização da frota. A injeção de recursos do Tesouro Nacional será gerenciada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que operacionalizará os financiamentos através da rede bancária.
O Move Aplicativos financiará veículos com valores de até R$ 150 mil. Os beneficiários terão um prazo estendido de até 72 meses para quitar o financiamento, com a vantagem de uma carência de até 6 meses antes do início dos pagamentos. As taxas de juros propostas são significativamente atrativas, posicionando-se abaixo da taxa Selic, que hoje está em 14,5% ao ano. Para os motoristas de aplicativo, a taxa em discussão é de 0,99% ao mês (12,55% ao ano), enquanto para os taxistas, o percentual sugerido é de 0,95% ao mês (11,40% ao ano), conforme apurado pelos jornalistas Flávia Said e Gabriel de Sousa, do Estadão.
Para garantir que o benefício alcance os profissionais que realmente dependem da atividade, o Governo estuda exigir que motoristas de aplicativo tenham realizado, no mínimo, 100 corridas nos últimos 12 meses. Essa regra visa focar o acesso em quem tem atuação habitual, evitando que a linha de crédito seja usada por quem não possui a profissão como principal fonte de renda. Contudo, representantes sindicais negociam um critério mais elevado, argumentando que 100 corridas em um ano equivalem a uma média de pouco mais de oito por mês, um volume que pode ser facilmente atingido em poucos dias.
O lançamento do programa ocorre em um momento crucial, após o Governo não conseguir avançar no Congresso Nacional com a regulamentação do trabalho por aplicativos. A proposta perdeu fôlego devido à falta de consenso entre empresas do setor, motoristas e parlamentares, uma paralisação que o Planalto atribui à forte pressão exercida pelas Plataformas. Diante desse cenário, a linha de crédito surge como uma alternativa para dar suporte à categoria.
O Planalto justifica a medida pela notável demanda reprimida por Carros entre motoristas de aplicativo e taxistas. Um estudo do Datafolha, realizado em 2025 com motoristas ativos da Uber, revelou que 87% manifestaram interesse em comprar ou trocar de carro nos três anos seguintes, sendo que 88% desses pretendiam financiar a aquisição. Essa pesquisa reforça a urgência e a relevância do Move Aplicativos.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) solicitou ao Governo que veículos importados fiquem de fora do programa ou que tenham um limite específico de acesso aos recursos, argumentando que o crédito incentivado deve priorizar a indústria nacional. Apesar dessa ressalva, a Anfavea vê o programa como uma medida positiva para ampliar o acesso à frota e dinamizar todo o setor automotivo.
Este programa representa uma oportunidade real para milhares de profissionais autônomos que dependem de seus veículos para sustentar suas famílias, oferecendo não apenas um meio de trabalho mais moderno e seguro, mas também um alívio financeiro significativo em tempos desafiadores. É a materialização de um esforço para dignificar o trabalho e impulsionar um segmento vital da economia brasileira.
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