PRESIDENTE REAGE
Lula lamenta classificação de criminosos brasileiros como terroristas e critica EUA
Em discurso em Sergipe, Luiz Inácio Lula da Silva expressou tristeza com a declaração americana sobre facções e criticou o que chamou de interferência estrangeira.
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou estar “muito triste” nesta sexta-feira, 29 de maio de 2026, com a classificação de facções criminosas brasileiras como “terroristas” pelos Estados Unidos. A declaração ocorreu durante um evento da Petrobras em Sergipe, onde Lula discursou inflamado contra o que considera interferência estrangeira na soberania nacional.
“Hoje eu estou muito triste, governador. Muito triste, senadores. Fiquei triste com a notícia de que o secretário dos Estados Unidos, um tal de Marco Rubio, disse que nossos criminosos são terroristas e que os americanos poderiam fazer intervenção aqui”, disse Lula, demonstrando sua insatisfação.
O presidente enfatizou que as organizações criminosas representam uma ameaça à população brasileira e que o combate a elas deve ser conduzido internamente. “Esses criminosos são terroristas para a sociedade brasileira. Eles incomodam o povo, roubam direitos da população e precisam ser combatidos”, afirmou, reforçando a necessidade de autonomia na gestão da segurança pública.
Em seu discurso, Lula também mencionou a importância da soberania nacional, utilizando a expressão “O Brasil não pode ser tratado como se fosse uma República de Banana” para criticar possíveis tentativas de ingerência externa.
Paralelamente ao discurso presidencial, o Palácio do Planalto divulgou uma nota oficial em resposta à decisão dos EUA. O comunicado reforçou a posição de soberania do Brasil, reiterou o compromisso no combate ao crime organizado e direcionou críticas à família Bolsonaro, mencionando a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos e seu posicionamento sobre intervenção estrangeira.
A nota do governo destacou que o Brasil possui leis e programas próprios para combater facções e milícias, como a lei de combate com penas de até 80 anos de prisão e o programa “Brasil contra o Crime Organizado”. Reiterou que, embora colaborações internacionais sejam bem-vindas, medidas unilaterais podem prejudicar o combate ao crime, a segurança da população e o sistema financeiro nacional, incluindo inovações como o Pix.
O Planalto classificou como “deplorável” a defesa de intervenção estrangeira por parte de integrantes da família Bolsonaro. O texto enfatizou que a soberania nacional é inegociável e que a definição e o combate ao crime no Brasil são responsabilidade exclusiva dos brasileiros.
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