COMÉRCIO GLOBAL

Lula e Trump criam GT para evitar tarifas dos EUA ao Brasil

Lula e Trump criam GT para evitar tarifas dos EUA ao Brasil

Grupo de Trabalho bilateral, com prazo de 30 dias, busca soluções para comércio e risco da Seção 301.

Para salvaguardar as relações comerciais e afastar o risco de novas taxações sobre produtos brasileiros, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump firmaram, na quinta-feira, 07 de maio de 2026, a criação de um Grupo de Trabalho (GT) bilateral. A iniciativa visa debater as tarifas comerciais entre Brasil e Estados Unidos e iniciar seus contatos já na próxima semana, em um esforço diplomático crucial para a economia de ambos os países.

O Palácio do Planalto avalia que este encontro presidencial proporciona um fôlego importante ao Brasil, mitigando as chances de os Estados Unidos imporem novas tarifas. Contudo, a imprevisibilidade do líder republicano mantém o alerta sobre possíveis novas taxações, cenário que exige cautela contínua da diplomacia brasileira.

Auxiliares do presidente brasileiro enfatizam que a superação do risco de tarifas e o encerramento da investigação contra o Brasil, sob a controversa “seção 301”, dependem estritamente das negociações comerciais diretas entre as duas nações. Por essa razão, a constituição do GT surge como o principal avanço concreto da reunião, com um prazo definido de 30 dias para apresentar resultados preliminares.

Em entrevista exclusiva à CNN, o ministro Márcio Elias Rosa defendeu vigorosamente a criação do Grupo de Trabalho. Ele reiterou a postura do Planalto: a discussão agora se eleva a um patamar com real capacidade de deliberação, distanciando-se das meras análises técnicas. “Anteriormente, as equipes técnicas analisavam os fundamentos da seção 301 e discutiam potenciais reduções tarifárias – objetivo central dos Estados Unidos –, mas careciam de autonomia decisória. Agora, com o avanço do processo, ambos os lados possuem poder de negociação, o que é fundamental”, explicou o ministro.

O governo brasileiro, entretanto, pondera que um acordo definitivo só será alcançado mediante alguma concessão por parte do Brasil. A percepção é que os emissários de Trump buscam, nas mesas de negociação, um gesto que possa ser capitalizado como uma vitória política interna.

Auxiliares do presidente Lula indicam que as áreas de interesse prioritário dos norte-americanos ainda não estão totalmente definidas. A delegação brasileira, inclusive, manifestou certa surpresa, pois esperava um maior entusiasmo da Casa Branca em discutir o tema dos minerais críticos durante o encontro de quinta-feira, 07 de maio de 2026.

As negociações serão conduzidas, do lado brasileiro, pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa. Pelo lado norte-americano, a responsabilidade recai sobre o secretário do Comércio, Howard Lutnick, e o representante comercial do país, Jamieson Greer.

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