GOVERNO ANTECIPA AÇÃO

Lula anuncia medidas ambientais e afirma que Brasil está preparado para El Niño

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um púlpito, com um fundo institucional.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante cerimônia no Palácio do Planalto.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou um pacote de R$ 2 bilhões para Ibama e ICMBio, além de regulamentações para combater queimadas e eventos climáticos extremos, com foco na preparação para o El Niño.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, nesta quinta-feira, 11 de junho de 2026, que o Brasil está "preparado antecipadamente" para enfrentar os potenciais impactos do El Niño. A afirmação foi feita durante uma cerimônia no Palácio do Planalto dedicada à agenda ambiental, onde o presidente destacou que o governo se antecipou aos riscos de queimadas e desastres climáticos previstos para os próximos meses. Pela primeira vez, segundo Lula, o país está se organizando previamente para lidar com os efeitos do fenômeno climático.

"Pela 1ª vez, nós estamos preparados antecipadamente para enfrentar essa situação", disse Lula, alertando para a possibilidade de um El Niño mais severo, que pode intensificar desastres climáticos e queimadas.

O anúncio ocorreu no contexto da apresentação de um robusto pacote de medidas ambientais, que totaliza R$ 2 bilhões em ações voltadas ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e ao ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). O pacote inclui ainda a regulamentação de instrumentos cruciais para a prevenção e o combate a incêndios florestais.

  • Criação do Parque Nacional Povos Indígenas do Rio Tanaru (RO), com 7,6 mil hectares, para proteção territorial e de floresta amazônica.
  • Ampliação do Parque Nacional Serra das Confusões (PI) em aproximadamente 92 mil hectares, reforçando a proteção de ecossistemas da Caatinga.
  • Regulamentação do Fundo Nacional do Meio Ambiente para agilizar repasses a Estados e municípios em ações de combate a incêndios e proteção animal.
  • Regulamentação da Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais, com regras para remunerar quem conserva recursos naturais.
  • Criação do Sintrilhas (Sistema Nacional de Trilhas), organizando uma rede de aproximadamente 205 trilhas em áreas protegidas para turismo sustentável.
  • Criação da APBio (Aliança das Instituições Públicas Nacionais de Pesquisa Científica e Tecnológica pela Biodiversidade) para fortalecer pesquisas sobre biodiversidade.
  • Sanção da Política Nacional para Recuperação da Vegetação da Caatinga, um marco legal para restauração ambiental e bioeconomia no bioma.
  • Lançamento do Programa Recaatingar, com R$ 60 milhões para recuperação de áreas degradadas na Caatinga.
  • Sanção da lei que reconhece o ofício das quebradeiras de coco babaçu como patrimônio cultural nacional.
  • Captação de R$ 370 milhões para o programa ARPA Comunidades, visando a conservação da Amazônia e o apoio a comunidades tradicionais.
  • Liberação de R$ 834 milhões do Fundo Clima para restauração de vegetação nativa, com potencial de mobilizar R$ 2,7 bilhões em investimentos.
  • Confirmação de R$ 270 milhões do Reino Unido ao Fundo Amazônia, posicionando o país como segundo maior financiador.
  • Destinação de R$ 150 milhões do Fundo Amazônia para o edital Sanear Indígena, financiando saneamento em terras indígenas.
  • Formalização de 58 contratos do programa Restaura Amazônia, focados na recuperação de 15 mil hectares de floresta nativa.
  • Criação do Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, coordenando políticas para 28 segmentos sociais.
  • Anúncio de cerca de R$ 2 bilhões para ações do Ibama e do ICMBio na bacia do Rio Doce, voltados à recuperação ambiental e fiscalização.

Os alertas sobre a formação de um novo episódio do El Niño vêm de projeções científicas. O ECMWF (Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo) indica que as temperaturas da superfície do Oceano Pacífico Equatorial podem ficar entre 3°C e 4°C acima da média até dezembro, com potencial para superar episódios históricos. A OMM (Organização Meteorológica Mundial) também aponta mais de 90% de probabilidade de o fenômeno permanecer ativo até novembro, alertando para a intensificação de secas, enchentes e ondas de calor globalmente.

Em contraponto ao discurso de preparação, o setor agropecuário expressa preocupação com a redução de recursos destinados à mitigação de riscos climáticos. O Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) bloqueou R$ 461,7 milhões do orçamento do PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural) em 2026, o que representa 45,6% da dotação disponível. Essa contenção, parte de um bloqueio maior de R$ 23,7 bilhões, diminuiu o orçamento para o seguro agrícola e levou a uma queda significativa no número de apólices contratadas nos últimos anos.

A bancada ruralista tem pressionado no Congresso para modernizar e ampliar a cobertura do seguro rural. O texto aprovado na Câmara dos Deputados aguarda análise no Senado. Entidades do setor, como a Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), alertam que a redução de recursos aumenta a vulnerabilidade dos produtores diante de um El Niño potencialmente severo, que pode afetar regimes de chuva, produtividade e preços.

Especialistas ressaltam que a preparação para eventos extremos deve ser uma política permanente de adaptação climática, com investimentos contínuos em prevenção, infraestrutura e gestão de riscos, e não depender apenas da confirmação do El Niño.

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