CRIME ORGANIZADO EM FOCO

Luiz Edson Fachin classifica crime organizado como tragédia e defende combate a apostas ilegais

Foto do ministro Luiz Edson Fachin.
Ministro Luiz Edson Fachin, presidente do STF, discursa sobre combate ao crime organizado.

Presidente do STF, ministro Luiz Edson Fachin, aponta lavagem de dinheiro em plataformas de apostas como estratégia de facções e elogia iniciativa de combate do Tribunal de Justiça de São Paulo.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Edson Fachin, classificou o avanço das facções criminosas como uma “tragédia contemporânea”. Ele destacou, nesta quarta-feira, 08/07/2026, durante a inauguração de nova estrutura especializada no Tribunal de Justiça de São Paulo, que uma das formas mais eficazes de combater essas organizações é sufocar seus mecanismos de lavagem de dinheiro, especialmente por meio de plataformas de apostas online, as chamadas bets.

Fachin ressaltou que a relação entre o mercado ilegal de apostas no País e o crime organizado é um tema de “estruturalmente relevante” e que demanda uma regulação financeira atenta ao grave problema social e de segurança pública. Ele alertou para a existência de um mercado ilegal à margem do Estado, onde atividades aparentemente lícitas podem ocultar a prática de diversos delitos, como lavagem de dinheiro, além da integração com outras atividades criminosas, como tráfico de drogas, contrabando, jogos ilegais, extorsão e corrupção.

A nova estrutura do Tribunal de Justiça de São Paulo, idealizada para impedir o fortalecimento de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) no Estado, foi elogiada por Fachin como um modelo para outras regiões do País. A iniciativa transforma as Varas de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores em Varas Estaduais especializadas em Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores, além de criar uma nova vara focada na fase investigativa e outra para crimes contra a ordem tributária, econômica, licitações e contratos administrativos.

O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Francisco Eduardo Loureiro, também defendeu uma “urgente reformulação no mercado de capitais” para frear as táticas de ocultação e branqueamento de ativos do crime organizado. Ele citou fundos de investimento com titular anonimizado e criptomoedas como ferramentas utilizadas para lavagem de dinheiro, argumentando que não há razão para a existência de ativos patrimoniais anônimos no Brasil, pois o dinheiro anônimo, segundo ele, origina-se de outros crimes e deve ser combatido com firmeza, por meio de alterações na legislação.

Fachin ponderou que o Poder Judiciário atua no combate ao crime organizado dentro de suas atribuições, destacando as ações e práticas em relação à criminalidade de lavagem de capitais por meio das bets. Ele classificou o uso indevido dessas empresas para promover lavagem de capitais como uma preocupação crescente para o Judiciário.

O ministro Flávio Dino, no Supremo, assumiu a liderança no tema da lavagem de dinheiro do crime organizado, em conjunto com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em junho, Dino determinou ajustes no plano de reestruturação do órgão para combater fraudes e a atuação de empresas não autorizadas no mercado de capitais.

O presidente do STF alertou que o cenário das bets ilegais a serviço do crime organizado possui caráter transnacional. Os serviços são frequentemente localizados fora do Brasil, em empresas constituídas em outras jurisdições, com a utilização de criptoativos e a fragmentação internacional das transações, o que dificulta investigações, bloqueios patrimoniais e recuperações de ativos.

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