FENÔMENOS DE TEMPO SEVERO

Microexplosão em Ribeirão Preto: por que o vento de 160 km/h não é um tornado

Destruição causada por ventos fortes em área urbana de Ribeirão Preto
Estragos causados por temporal severo em Ribeirão Preto, SP, na sexta-feira (24) — Foto: Reprodução/EPTV

Especialista esclarece que a dinâmica das correntes de ar diferencia os eventos, que causaram destruição generalizada na região de Ribeirão Preto na última sexta-feira (24).

O temporal severo que atingiu a região de Ribeirão Preto (SP) na última sexta-feira (24), resultando em uma morte, destruição de estruturas e falhas generalizadas no fornecimento de energia, foi classificado como uma microexplosão. A definição, confirmada por especialistas, encerra as dúvidas sobre a natureza do fenômeno, que chegou a ser confundido com um tornado devido à força dos ventos, que alcançaram 160 km/h.

De acordo com Josélia Pegorim, meteorologista do Climatempo, a principal distinção reside no comportamento da corrente de ar. Enquanto um tornado é caracterizado por um movimento giratório que parte de uma nuvem funil, a microexplosão ocorre através de uma corrente descendente centrada na base da nuvem. Ao tocar o solo, o vento da microexplosão se dispersa de forma radial e divergente, atingindo áreas concentradas.

O impacto na dignidade das comunidades afetadas em cidades como Guariba, Taquaritinga, Dumont, Pradópolis e Barrinha é profundo. Moradores relatam cenários de desolação, com perdas patrimoniais significativas e dias sem serviços básicos. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reconheceu a complexidade do evento, destacando a dificuldade técnica dos modelos meteorológicos atuais em prever com precisão a localização exata de tais fenômenos.

A ciência meteorológica, representada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), aponta que a instabilidade foi potencializada por um cavado em médios níveis da atmosfera, somado ao calor e à umidade. Apesar do avanço tecnológico, o monitoramento por satélites e radares ainda não permite alertas precisos com antecedência superior a 24 horas, limitando a capacidade de preparação da população diante da formação rápida de supercélulas.

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